Mais ou menos.
Comecei a fazer pós-graduação na USP. Campinas fica a duas horas de São Paulo, em um dia normal, com um pouco de trânsito. O fretado leva duas horas e meia para chegar, o que quer dizer que não valeria a pena fazer bate e volta todos os dias, seria cansativo demais. Além disso, tenho uma tia que mora em São Paulo, a uma hora de metrô da USP.
Essa tia costumava morar numa casona enorme na zona sul, onde eu facilmente teria um quarto e um banheiro só pra mim, além de, possivelmente, uma cômoda. Mas então ela teve que se mudar e foi, provisoriamente, para um apartamento pequeno para duas pessoas. Ontem meu sofá-cama chegou, então tenho um quarto, mas até então, estava dormindo no sofá da sala. Até que era legal.
O que eu realmente sinto falta, na verdade, é de um armário. Chato de ficar mudando de cidade é ter que levar pouca roupa. E fazer malas pequenas pra não ficar muito pesado, além de ter que ficar levando o notebook nas costas. Descolei uns cinco cabides e uma gavetinha no armário e tento levar o menor número possível de sapatos. O que quer dizer que eu acabo sempre com uma saia, uma calça e um monte de blusas. Mas sempre sinto falta de alguma coisa que ficou na casa dos meus pais. Uma saia, um par de sapatos, um casaco, um batom. Ainda por cima o clima das duas cidades é completamente diferente. Sinto que preciso refazer meu armário inteiro.
Outra coisa são os livros. Se eu não tenho espaço pra roupas, imagine para pastas e pastas de todos os xerox que já tirei na graduação. Sim, elas fazem falta - e muita. As pastas e os cadernos e os poucos livros teóricos que tenho, além dos lápis de cor e das canetinhas - mesmo que eu ande grifando super pouco.
Pelo menos levei a câmera fotográfica que é muito mais útil em São Paulo do que em Campinas.
20.4.13
6.4.13
Sorteio
Ganhei um sorteio do facebook. Desses que ninguém nunca ganha. Mas eu ganhei. E foi muito louco porque eu nem queria muito, nem me esforcei, nem conhecia a marca direito, nem nada.
Um dia vi que uma amiga minha, de infância - dessas que a gente têm nas redes sociais e promete que algum dia vai reencontrar, mas nunca marca de fazer nada - tinha entrado em uma promoção de pincéis para maquiagem. Era um estojão cheio de pincéis chineses, com hastes coloridas. Achei bonito, tenho poucos pincéis. Me inscrevi no sorteio. Nunca ganho nada mesmo.
Aí uns dias depois, outra amiga com quem também não falo há muito tempo, me avisou por mensagem que eu tinha ganhado uma promoção, "aquele da maquiagem lá". Eu tinha bloqueado a página do meu feed de notícias, então não tinha visto. Mas era verdade, eu tinha ganho!
Pedi pra entregarem na casa de uma amiga, porque nada chega aqui em casa. Passaram-se dois meses e eu já tinha desistido. Achei chato reclamar com a empresa, já que eu nem estava pagando. Minha amiga perguntou se eles já tinham enviado. Disse que sim.
Mas semana passada chegou. E o envelope veio da China, com mais pincéis que eu sei a utilidade. Acho que eu nem tenho maquiagem o suficiente pra usar com tudo aquilo. Não sei se os pincéis são bons. Ainda não tive tempo de testar. Não são tão macios quanto os que eu já tinha (que doei para minha irmã, depois de muita insistência da parte dela), mas são um montão. E vieram perfeitinhos, com plástico cobrindo cada pincel separadamente. O estojo inteiro (que fecha com ímã) veio dentro de um saquinho de pano e tudo veio num envelopão revestido de plástico bolha, com mais plástico bolha dentro, uma maravilha. E ainda foram de graça.
Um dia vi que uma amiga minha, de infância - dessas que a gente têm nas redes sociais e promete que algum dia vai reencontrar, mas nunca marca de fazer nada - tinha entrado em uma promoção de pincéis para maquiagem. Era um estojão cheio de pincéis chineses, com hastes coloridas. Achei bonito, tenho poucos pincéis. Me inscrevi no sorteio. Nunca ganho nada mesmo.
Aí uns dias depois, outra amiga com quem também não falo há muito tempo, me avisou por mensagem que eu tinha ganhado uma promoção, "aquele da maquiagem lá". Eu tinha bloqueado a página do meu feed de notícias, então não tinha visto. Mas era verdade, eu tinha ganho!
Pedi pra entregarem na casa de uma amiga, porque nada chega aqui em casa. Passaram-se dois meses e eu já tinha desistido. Achei chato reclamar com a empresa, já que eu nem estava pagando. Minha amiga perguntou se eles já tinham enviado. Disse que sim.
Mas semana passada chegou. E o envelope veio da China, com mais pincéis que eu sei a utilidade. Acho que eu nem tenho maquiagem o suficiente pra usar com tudo aquilo. Não sei se os pincéis são bons. Ainda não tive tempo de testar. Não são tão macios quanto os que eu já tinha (que doei para minha irmã, depois de muita insistência da parte dela), mas são um montão. E vieram perfeitinhos, com plástico cobrindo cada pincel separadamente. O estojo inteiro (que fecha com ímã) veio dentro de um saquinho de pano e tudo veio num envelopão revestido de plástico bolha, com mais plástico bolha dentro, uma maravilha. E ainda foram de graça.
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| Sparky aprova! |
2.3.13
Sobre Arte
Mas o que eu queria mesmo era ter algo especial a dizer.
1.3.13
Eu sou Colombina, eu sou Pierrot
Ganhei uma câmera profissional de presente de formatura. A formatura foi há seis meses e a máquina chegou agora. Aproveitei pra levá-la comigo à Florianópolis, no Carnaval. É verdade que a câmera não faz o fotógrafo, mas que uma DSLR - e esta é a minha primeira - facilita muita coisa, facilita. Por exemplo, ela tira fotos excelentes no escuro, sem flash. Então provavelmente virão muitas outras fotos aqui no blog de agora em diante.
E eu fotografei o Carnaval de rua no lugar mais simpático de Floripa, Santo Antônio de Lisboa, me sentindo o Brassai do digital colorido.
E eu fotografei o Carnaval de rua no lugar mais simpático de Floripa, Santo Antônio de Lisboa, me sentindo o Brassai do digital colorido.
27.2.13
C is for Cookie
Achei uma receita de biscoito na internet que era tão fácil, mas tão fácil que eu decorei. Eu não costumo cozinhar, não tenho paciência, mas acho que cozinho razoavelmente bem e, de uns anos pra cá, nada que eu fiz foi catastrófico. Além disso, o biscoito era de Nutella.
Se você quiser fazer também, pegue o caderninho de receitas e anote como fazer. Cuidado pra não perder nada.
Aí é só misturar bem misturadinho, fazer formato de biscoito e colocar no forno a 180º por 5 a 10 minutos, dependendo se você gosta dos seus cookies mais durinhos ou mais maciozinhos. Servir com leite.
E é só isso! Eu deixei por 8 minutos e ficou perfeito. Não precisa nem untar a forma por causa do óleo de amêndoas da Nutella. A primeira fornada que eu fiz ficou mais gordinha, com recheio molinho. A segunda, com cookies mais fininhos, ficou mais crocante. Gostei das duas.
O problema é que tem que ser rico (ou morar com os pais), porque um copo de Nutella é uma embalagem de Nutella quase inteira. Da próxima vez vou ver se coloco macadâmias e fazer o cookie mais caro do mundo!
Receita original, além de outras nove dicas de comidas muito fáceis, aqui. Aliás, o Messy Nessy Chic é um blog super legal cheio de curiosidades histórias e coisas interessantes.
Se você quiser fazer também, pegue o caderninho de receitas e anote como fazer. Cuidado pra não perder nada.
- 1 ovo
- 1 copo de farinha de trigo
- 1 copo de Nutella
Aí é só misturar bem misturadinho, fazer formato de biscoito e colocar no forno a 180º por 5 a 10 minutos, dependendo se você gosta dos seus cookies mais durinhos ou mais maciozinhos. Servir com leite.
E é só isso! Eu deixei por 8 minutos e ficou perfeito. Não precisa nem untar a forma por causa do óleo de amêndoas da Nutella. A primeira fornada que eu fiz ficou mais gordinha, com recheio molinho. A segunda, com cookies mais fininhos, ficou mais crocante. Gostei das duas.
O problema é que tem que ser rico (ou morar com os pais), porque um copo de Nutella é uma embalagem de Nutella quase inteira. Da próxima vez vou ver se coloco macadâmias e fazer o cookie mais caro do mundo!
Receita original, além de outras nove dicas de comidas muito fáceis, aqui. Aliás, o Messy Nessy Chic é um blog super legal cheio de curiosidades histórias e coisas interessantes.
22.2.13
Pitiníase Rósea
Tenho médicos demais na família. Quando fico com um problema de saúde, minha mãe resolve, principalmente porque ela raramente erra um diagnóstico (a menos que eu esteja resfriada, quando ela sempre diz que eu estou com pneumonia e que vou morrer - porque pneumonia é muito perigoso nessa idade). Se ela não souber o que é, uma das minhas tias resolve. Senão, meu primo resolve e em breve meu irmão vai conseguir resolver também. Eu raramente vou em outros médicos. Infelizmente, nenhum dos meus parentes é dermatologista.
E eu, que puxei todos os genes ruins do lado alemão do meu pai, pego alguma coisa estranha na pele todo verão. Minha mãe, que nunca erra diagnósticos, diz que é o calor, que eu sou sensível demais. Me sinto o Harry protestando contra a Madam Pomfrey na ala hospitalar "I'm not delicate!" Pelo menos tenho uma desculpa maravilhosa para me mudar algum dia para um lugar mais fresco: meu organismo simplesmente não aguenta esse calor. Já estou planejando todas as coisas legais que vou fazer em Oslo.
E então que em Dezembro apareceu um coiso estranho na minha barriga. Mostrei pra minha mãe, que já sabia o que era, mas não tinha certeza, então mostrou pra um amigo dermatologista. Ele me receitou a pomada que cura todos os problemas de pele que já tive na vida. Começou a melhorar. No entanto, um tempo depois, começaram a aparecer mais coisos parecidos, menores, em outros lugares do corpo. Todo mundo me disse que era normal, então continuei passando a pomada.
Até que no Carnaval resolvi ir pra Florianópolis e eu sabia que resolveria todos os meus problemas. O mar sempre cura todas as doenças. Corte? Feridas? Espinhas? Enfia na água salgada que passa. Quando eu entrei no Mar Morto, o supermar, todas as minhas feridas cicatrizaram, inclusive uma queimadura horrível que eu tinha feito dias antes, que insistia em não melhorar, mesmo com remédio. Parei de passar a pomada só na menção de ir à praia.
Mas é claro que nada deu certo do jeito que eu queria. Fiquei doente e as feridas só pioraram e aumentaram de tamanho. Entrei em desespero, estava virando um monstro. Pior: o mar tinha me traído!
Marquei consulta na dermatologista. A última vez que eu tinha ido foi ano passado, também no verão, quando eu tinha virado um monstro pela primeira vez. Foi só telefonar que as lesões começaram a melhorar de novo, estavam bem menos vermelhas. Me senti uma idiota.
Chegando lá, ouvi a melhor coisa que é possível ouvir de um médico. Estava tudo bem, poderia ser bem pior, que era assim mesmo e que eu iria melhorar sozinha. Realmente não há nada no mundo como se recuperar de doenças sem precisar de nenhum remédio.
E eu, que puxei todos os genes ruins do lado alemão do meu pai, pego alguma coisa estranha na pele todo verão. Minha mãe, que nunca erra diagnósticos, diz que é o calor, que eu sou sensível demais. Me sinto o Harry protestando contra a Madam Pomfrey na ala hospitalar "I'm not delicate!" Pelo menos tenho uma desculpa maravilhosa para me mudar algum dia para um lugar mais fresco: meu organismo simplesmente não aguenta esse calor. Já estou planejando todas as coisas legais que vou fazer em Oslo.
E então que em Dezembro apareceu um coiso estranho na minha barriga. Mostrei pra minha mãe, que já sabia o que era, mas não tinha certeza, então mostrou pra um amigo dermatologista. Ele me receitou a pomada que cura todos os problemas de pele que já tive na vida. Começou a melhorar. No entanto, um tempo depois, começaram a aparecer mais coisos parecidos, menores, em outros lugares do corpo. Todo mundo me disse que era normal, então continuei passando a pomada.
Até que no Carnaval resolvi ir pra Florianópolis e eu sabia que resolveria todos os meus problemas. O mar sempre cura todas as doenças. Corte? Feridas? Espinhas? Enfia na água salgada que passa. Quando eu entrei no Mar Morto, o supermar, todas as minhas feridas cicatrizaram, inclusive uma queimadura horrível que eu tinha feito dias antes, que insistia em não melhorar, mesmo com remédio. Parei de passar a pomada só na menção de ir à praia.
Mas é claro que nada deu certo do jeito que eu queria. Fiquei doente e as feridas só pioraram e aumentaram de tamanho. Entrei em desespero, estava virando um monstro. Pior: o mar tinha me traído!
Marquei consulta na dermatologista. A última vez que eu tinha ido foi ano passado, também no verão, quando eu tinha virado um monstro pela primeira vez. Foi só telefonar que as lesões começaram a melhorar de novo, estavam bem menos vermelhas. Me senti uma idiota.
Chegando lá, ouvi a melhor coisa que é possível ouvir de um médico. Estava tudo bem, poderia ser bem pior, que era assim mesmo e que eu iria melhorar sozinha. Realmente não há nada no mundo como se recuperar de doenças sem precisar de nenhum remédio.
8.2.13
Nostalgia
A gente faz 20 e poucos anos, começa a se achar velho e a sentir saudade do jeito que as coisas eram quando a gente era criança e não tinha responsabilidades ou dores no coração. Aí a gente fica se convencendo de como era legal fita K7 e disquete (que só quem nunca teve que usar pra achar que era bacana), de como os desenhos animados que a gente assistia eram tão mais educativos (sendo que tinha um diabo travesti como um dos maiores vilões das Meninas Super Poderosas) e de como eram gostosas as comidas que a gente comia quando era pequeno. Até trouxeram o chocolate Lolla de volta. Juro que eu não lembro desse, vai ver não era da minha época.
E então que eu precisava perder umas horas em São Paulo. E eu decidi ir pra Liberdade porque é lá que se perde tempo comprando adesivos e doces, comendo comida japonesa por um valor razoável e fingindo que a gente tá em Tokyo. Entrei numa loja maravilhosa só de doces, bem pertinho da saída do metrô. Lá vende doces importados e nacionais por preços módicos. Uma das coisas mais baratas era uma barra de chocolate branco com pistache, importada da Turquia. Diz Beyaz Çikolata Antep Fistikli na caixa. Agora eu sei como se diz chocolate em turco. E custava só R$2,90. Eu adoro pistache. Não gosto muito de chocolate branco. Se fosse uma merda, pelo menos teria perdido só dois e noventa.
A outra coisa que eu achei foi Tortuguita. Tinha de todos os tipos: chocolate branco com recheio de chocolate preto, brigadeiro e chocolate preto com recheio de baunilha. Escolhi o último, o mais gostoso. Adorava Tortuguita. O ritual de comer a cabeça primeiro, igual na propaganda, depois as perninhas, depois ir pro casco. Saudade de todas essas comidas que a gente comia com ritual: chocolate da Mônica, bolachinha Foffys. Tenho certeza que as crianças de hoje têm rituais diferentes pra comer as comidas deles e que nossos pais tinham outros costumes semelhantes.
Sentei na escada do metrô pra comer meu chocolate, que reservei pra depois do almoço. Tinha um grupo de amigas conversando na escada abaixo de mim, dois casais namorando logo na frente do metrô, um de adolescentes bem novinhos, outro mais velho.
Abri minha Tortuguita. Mordi a cabecinha. Gosto de chocolate hidrogenado. Mordi as perninhas. Mordi o corpinho, tomando cuidado pra não encostar o chocolate nas minhas mãos sujas de escada de metrô (quando a gente é criança, não tinha essas preocupações), a baunilha era doce demais. A única coisa que salvava eram as bolinhas crocantes do recheio. Terminei a tartaruga, bem maior do que eu lembrava, por orgulho, por saudade aos velhos tempos. E ainda tinha um casal da minha idade que realmente deveria parar de se pegar no meio da rua e ir a um motel.
Espero que nunca voltem a fazer o chocolate da Mônica. Existem coisas, como fitas K7, disquetes e desenhos animados homofóbicos, que só são boas mesmo no passado.
24.1.13
Eutanásia
Ganhamos nosso primeiro cachorrinho quando eu era bem pequena, uns 4, 5 anos. Era uma pastora alemã, filhote de cruzamento de pastor preto com pastor branco da vizinha. Absolutamente linda, meio brava, latia pra todo mundo de fora. Na primeira cria, alguns anos depois, ficou frágil e nos deixou. Mas ainda ficaram o Rover e a Nala, dessa gestação. Eu tinha uns 8 ou 9 anos. Eram os filhotes mais lindos do mundo.
O Rover era super carente. A gente não podia sentar pra ler no quintal que ele ficava horas pedindo carinho. Era super fofo ver um pastor alemão enorme e preto como ele, carente daquele jeito. A Nala era mais independente. Sempre foi. Não gostava de carinho. Não fazia cerimônia pra gente. Só gostava do meu pai. Nunca fomos muito próximas. Ela ficava rondando a casa, majestosa, preta e dourada, um pouquinho menor que o irmão.
O Rover morreu há uns anos atrás. Foi horrível, fizemos tudo que pudemos, mas não foi o suficiente. A Nala ficou bem mais triste depois disso. Adotamos outros cachorros pra fazer companhia a ela. Já tínhamos o Tom, mas ele era metido demais pra ficar lá fora com ela. Eram dois velhos juntos. Adotamos o Einstein, que não para quieto, e o Simba, que foi o melhor cachorro do mundo. Os dois são vira-latas, o Simba era maiorzinho. Finalmente me dei conta de como a Nala era grande.
A Nala ficou melhor, um pouco mais carente depois de velha, mas não muito. Engordou, ficou engraçadinha, virou filhote de novo. Morria de medo de trovão e fogos de artifício. Queria entrar em casa. Estragou todas as portas de casa tentando entrar em tempestades e jogos de futebol.
Seis meses atrás o Simba fugiu. Todos os cachorros ficaram tristes. A Nala ficou um pouco pior. Mais teimosa, queria ficar dentro de casa o tempo todo. Todos sabíamos que ela ia nos deixar em breve. Mas continuava ali, cada vez mais carente, coisa que ela nunca tinha sido antes. Ela começou a ter dificuldade pra levantar, tinha um machucado na perna que não sarava nunca, perdeu o controle da bixiga, fazia a maior sujeira dentro de casa.
Tínhamos que arrumar um companheirinho pra ela. Logo antes do Natal, meu irmão arrumou o Raí, o pitbullzinho mais lindo e alegre do mundo. Tentamos mostrar pra Nala, que estava cada vez com mais dificuldade de andar, mas ela não se animou muito.
De umas duas semanas pra cá, as patas de trás definitivamente cederam. Ficava parada no canto, tínhamos que empurrá-la para andar, chorava pedindo comida e água. Criou uma ferida enorme na lombar. Demos vitaminas e analgésicos, demos atenção e tudo que ela queria. Na chuva era bem pior. Ficava triste e visivelmente sentia mais dor. Pensamos em marcar uma eutanásia. Ninguém sabia se era melhor acabar logo com tudo ou se, por acaso, talvez ela melhorasse. Perguntamos pra veterinária como funcionava, mas ninguém teve coragem de marcar.
Parou de chover na semana passada. Ela ficou mais contente. Mais viva, latia em vez de gemer por comida. Brincava com as plantas da minha mãe. Interagia com o Raí e os outros cachorros, um pouco. Mas as feridas ficavam cada vez maiores, cheias de berne. Parou de andar de vez, se arrastava pela grama. Latia a noite inteira pedindo água, querendo atenção. Continuamos sem saber o que fazer. Coitada da Nala, mas parecia estar um pouco melhor.
Ontem de manhã dei comida e água pra ela. Ela tinha destruído o potinho de ração, a gente tinha que encaixar as coisas. Troquei a água dela. Fiquei morrendo de dó porque estava muito quente e o potinho de água, de metal, estava fervendo. Lavei o potinho, pus água nova. Fiz um pouco de carinho. Quando fui sair de casa, dei tchau pro Tom, pro Einstein, levei o Raí até o portão. Não passei por ela, que estava quietinha.
Quando voltei com a minha mãe algumas horas depois, ela estava coberta por moscas. Foi horrível. Ligamos na veterinária, que deu o telefone do crematório. R$200 pela cremação coletiva, R$480 a individual, onde nos devolveriam as cinzas. Eu não sei o que faria nem com as cinzas dos meus pais. Esperamos uma hora, ligamos pra todo mundo que não estava em casa. Meu pai que estava vindo do trabalho, meu irmão, em Minas, e entrei na internet pra falar com minha irmã, passeando em Nova Iorque.
A Nala nunca pareceu tão pequena, encolhida pelo sofrimento. Deu um certo alívio, na verdade. Estava de olhos fechados. Deve ter morrido dormindo. Que bom. Era o que todo mundo queria.
Quando o moço da funerária trouxe o saco branco pra colocar ela dentro, decidi não ver. Me escondi dentro de casa e comecei a chorar.
Nunca fomos muito próximas. Deu muita dor de cabeça no final, mas, depois de 16 anos (que ela faria em fevereiro), mesmo com mais três cachorros, a casa parece tão vazia.
O Rover era super carente. A gente não podia sentar pra ler no quintal que ele ficava horas pedindo carinho. Era super fofo ver um pastor alemão enorme e preto como ele, carente daquele jeito. A Nala era mais independente. Sempre foi. Não gostava de carinho. Não fazia cerimônia pra gente. Só gostava do meu pai. Nunca fomos muito próximas. Ela ficava rondando a casa, majestosa, preta e dourada, um pouquinho menor que o irmão.
O Rover morreu há uns anos atrás. Foi horrível, fizemos tudo que pudemos, mas não foi o suficiente. A Nala ficou bem mais triste depois disso. Adotamos outros cachorros pra fazer companhia a ela. Já tínhamos o Tom, mas ele era metido demais pra ficar lá fora com ela. Eram dois velhos juntos. Adotamos o Einstein, que não para quieto, e o Simba, que foi o melhor cachorro do mundo. Os dois são vira-latas, o Simba era maiorzinho. Finalmente me dei conta de como a Nala era grande.
A Nala ficou melhor, um pouco mais carente depois de velha, mas não muito. Engordou, ficou engraçadinha, virou filhote de novo. Morria de medo de trovão e fogos de artifício. Queria entrar em casa. Estragou todas as portas de casa tentando entrar em tempestades e jogos de futebol.
Seis meses atrás o Simba fugiu. Todos os cachorros ficaram tristes. A Nala ficou um pouco pior. Mais teimosa, queria ficar dentro de casa o tempo todo. Todos sabíamos que ela ia nos deixar em breve. Mas continuava ali, cada vez mais carente, coisa que ela nunca tinha sido antes. Ela começou a ter dificuldade pra levantar, tinha um machucado na perna que não sarava nunca, perdeu o controle da bixiga, fazia a maior sujeira dentro de casa.
Tínhamos que arrumar um companheirinho pra ela. Logo antes do Natal, meu irmão arrumou o Raí, o pitbullzinho mais lindo e alegre do mundo. Tentamos mostrar pra Nala, que estava cada vez com mais dificuldade de andar, mas ela não se animou muito.
De umas duas semanas pra cá, as patas de trás definitivamente cederam. Ficava parada no canto, tínhamos que empurrá-la para andar, chorava pedindo comida e água. Criou uma ferida enorme na lombar. Demos vitaminas e analgésicos, demos atenção e tudo que ela queria. Na chuva era bem pior. Ficava triste e visivelmente sentia mais dor. Pensamos em marcar uma eutanásia. Ninguém sabia se era melhor acabar logo com tudo ou se, por acaso, talvez ela melhorasse. Perguntamos pra veterinária como funcionava, mas ninguém teve coragem de marcar.
Parou de chover na semana passada. Ela ficou mais contente. Mais viva, latia em vez de gemer por comida. Brincava com as plantas da minha mãe. Interagia com o Raí e os outros cachorros, um pouco. Mas as feridas ficavam cada vez maiores, cheias de berne. Parou de andar de vez, se arrastava pela grama. Latia a noite inteira pedindo água, querendo atenção. Continuamos sem saber o que fazer. Coitada da Nala, mas parecia estar um pouco melhor.
Ontem de manhã dei comida e água pra ela. Ela tinha destruído o potinho de ração, a gente tinha que encaixar as coisas. Troquei a água dela. Fiquei morrendo de dó porque estava muito quente e o potinho de água, de metal, estava fervendo. Lavei o potinho, pus água nova. Fiz um pouco de carinho. Quando fui sair de casa, dei tchau pro Tom, pro Einstein, levei o Raí até o portão. Não passei por ela, que estava quietinha.
Quando voltei com a minha mãe algumas horas depois, ela estava coberta por moscas. Foi horrível. Ligamos na veterinária, que deu o telefone do crematório. R$200 pela cremação coletiva, R$480 a individual, onde nos devolveriam as cinzas. Eu não sei o que faria nem com as cinzas dos meus pais. Esperamos uma hora, ligamos pra todo mundo que não estava em casa. Meu pai que estava vindo do trabalho, meu irmão, em Minas, e entrei na internet pra falar com minha irmã, passeando em Nova Iorque.
A Nala nunca pareceu tão pequena, encolhida pelo sofrimento. Deu um certo alívio, na verdade. Estava de olhos fechados. Deve ter morrido dormindo. Que bom. Era o que todo mundo queria.
Quando o moço da funerária trouxe o saco branco pra colocar ela dentro, decidi não ver. Me escondi dentro de casa e comecei a chorar.
Nunca fomos muito próximas. Deu muita dor de cabeça no final, mas, depois de 16 anos (que ela faria em fevereiro), mesmo com mais três cachorros, a casa parece tão vazia.
22.1.13
Agridoce
Eu adoro o tumblr. Tenho algumas contas, mas o que eu mais gosto é do dashboard, que deixa todos os blogs que eu sigo organizadinhos. Nunca consegui usar um leitor de rss (parece até que isso já saiu de moda), mas o tumblr é tão fácil! Aprendi com a Emi e não consigo mais voltar atrás. E, lógico, lá tem blogs incríveis. Pensei, inclusive, em migrar meu blog pra lá, como a Lolla e a Aline fizeram, já que lá é mil vezes mais organizado e bonito que aqui, mas, sabem como é, força do hábito. Talvez quando eu tiver um felimpropano.com eu mude, só pra ser mais fácil.
Mas, parando de enrolar, encontrei um dos meus webcomics favoritos por lá. Não sei se se qualifica como webcomic, não sei o que qualifica um webcomic, mas é uma série de quadrinhos que são publicados na internet. O moço que faz (acho que é um moço) faz colagens bem simples com papel colorido e desenha por cima a caneta. A série chama Crimes Against Hugh's Manatees (bem por cima, crimes contra a humanidade), em que o Hugh em questão é um urso solitário. Há dramas, inclusive, de unicórnios, polvos, coelhos e esquilos. Todos eles com dilemas bem parecidos com os nossos.
O humor é ácido, chegando até a ser triste. Mas eu acho tudo isso lindo. Encontrei esse blog em um dia que eu estava especialmente desolada e essa foi a única coisa que fez eu me sentir melhor, por mais bizarro que isso possa parecer.
Mas, parando de enrolar, encontrei um dos meus webcomics favoritos por lá. Não sei se se qualifica como webcomic, não sei o que qualifica um webcomic, mas é uma série de quadrinhos que são publicados na internet. O moço que faz (acho que é um moço) faz colagens bem simples com papel colorido e desenha por cima a caneta. A série chama Crimes Against Hugh's Manatees (bem por cima, crimes contra a humanidade), em que o Hugh em questão é um urso solitário. Há dramas, inclusive, de unicórnios, polvos, coelhos e esquilos. Todos eles com dilemas bem parecidos com os nossos.
O humor é ácido, chegando até a ser triste. Mas eu acho tudo isso lindo. Encontrei esse blog em um dia que eu estava especialmente desolada e essa foi a única coisa que fez eu me sentir melhor, por mais bizarro que isso possa parecer.
11.1.13
Como Organizar Bijuterias
Então eu decidi que para usar as coisas diferentes que eu tenho, é preciso vê-los. Todas as minhas bijuterias estavam amontoadas em uma caixinha, de modo que eu sempre usava o colar que estava em cima, repetindo-o com frequência. Minha irmã teve a idéia de comprar um chaveiro e pendurá-los na parede, de modo que parecesse uma loja. E, realmente, fica muito mais organizado.
No Natal viajei com a minha família pra Gramado e, em meio a chocolates e malhas, achamos uma lojinha de artesanato (acho que chamava Casa do Artesão, ao lado do Lago Negro) com o chaveiro perfeito:
Me perdoem a foto torta, ela foi tirada, como você podem ver, já pregada na porta do quarto com coisas penduradas. A parte de madeira tem uns 20cm e tem esses ganchinhos de metal, bons pra separar os colares por tipos. Então consegui separar os modelos de correntinha fininha dos de cordão e dos ~maxicolares~. Claro que os zilhões de crucifixos da adolescência ganharam um gancinho só pra eles, junto com o brasão de Hogwarts e um coração costurado da Emme.
Ficou assim:
Outra coisa que eu fiz foi arrumar os brincos. Antigamente eu prendia um brinco no outro pela tarrachinha para eles não se perderem, mas aí vieram as tarrachinhas de plástico/silicone e os brincos desses de pendurar e eu sempre perdia um tempão procurando o par na caixinha.
Eu já tinha pensado em recortar pedaços de papel cartão, por exemplo, pra prender os brincos, do jeito que eles ficam na loja (inclusive guardo os comprados mais recentemente desse jeito), mas aí tive uma inspiração genial:
Comprei esse brinco maravilhoso num dos bazares organizados pela minha turma da faculdade pra arrecadar dinheiro pros projetos de conclusão de curso. E ele veio assim, em um retângulo de EVA vermelho. Resolvi fazer igual.
Minha irmã estava jogando fora umas letras de EVA que tinham sido usados há muito tempo atrás num chá de lingerie e me deu pra eu usar. Por isso tá tudo torto e não, obviamente, porque não sei fazer nada direito.
Assim não perco mais o parzinho, principalmente porque tenho muito brinco pequeno. A caixinha de bijuteria fica mais cheia, mas acho que vale a pena. Inclusive fiz um para os brincos sem par:
9.1.13
50 Tons de Mau Gosto
Eu sei, eu sei. Todo mundo já falou sobre isso. Mas eu quero falar também.
Então eu estava estressada fazendo dois filmes ao mesmo tempo e, ainda por cima, escrevendo o projeto de mestrado, tinha acabado de ler Casual Vacancy (que é maravilhoso, depois faço um post só sobre ele) e eu, me desculpem, tive a oportunidade de ler 50 Tons de Cinza. Um livro idiota. Perfeito.
Minha intenção era a de salvar a história, confesso. Dizer que não era tão ruim, que me identifiquei com Anastassia Steele, que há lições de vida e de relacionamentos no livro. Mas não, não há. As únicas coisas que eu aprendi foram que eu divido fantasias sexuais com uma senhora de meia-idade (fazer sexo com um cara podre de rico) e que eu escrevo bem pra caralho.
Enquanto eu estava lendo, fui fazendo uma listinha com algumas dicas do que não fazer contando uma história e, como todo mundo que tem blog ou lê blog é aspirante a escritor, achei legal compartilhar. Bora lá:
1. Stephan King disse uma vez que a estrada para o inferno é pavimentada com advérbios. Absolutamente, completamente, docemente, desnecessariamente. Isso vale também para conjunções adverbiais, por exemplo: “disse de maneira sensual” e, meu preferido do livro inteiro: “com um olhar de como quem diz: ‘não seja ridícula’”.
2. Essa é consequência do item 1, mas vale contar porque é um erro comum, sempre leio autores bons dizendo pra não fazer isso e era uma coisa que eu fazia quando achava que escrevia muito bem, obrigada, aos 15 anos: não descreva a forma como se fala. Até a J K Rowling aprendeu a não fazer isso mais. Sussurou, gritou, disse com voz doce, ordenou, e (só consigo pensar do Marcelinho quando leio isso) urrou. Urrou ¬¬ Pontuação e contexto provavelmente darão conta de explicar o tom de voz dos personagens. Se precisar muito dizer que o personagem gritou, fique à vontade, mas tudo menos “ordenou docemente”. Estou até agora tentando entender que porra quer dizer “ordenou docemente”.
3.Ao se falar de partes íntimas, use a palavra mesmo, nada de “ele encostou ali” (em itálico, durante as quase 400 páginas do livro). Quantos anos você tem, pelo amor de Deus? Parece eu, na escola, falando do “voluminho” dos meninos.
4. E esse é o contrário do anterior. Não descreva exatamente o que as pessoas estão fazendo durante o sexo. Isso não dá tesão, dá nojo. Fica parecendo os contos do Marcelinho. Ou, sei lá, eu que sou fresca e prefiro ler as sensações aos atos mesmo.
5. Não repita frases feitas. A E L James parece que repete mais, quanto pior a expressão. Essa do “um olhar como quem diz ‘não seja ridícula’” aparece várias vezes. A calça de feltro (Christian Grey, um hippie) caída “daquele jeito na cintura”, seja lá o que isso queira dizer. Além da marca registrada do livro (que até virou piada entre meus amigos que nem leram o livro): “Está com fome? Não de comida”.
6. Não sei vocês, mas acho bem mais legal ler um livro que tem uma história e no meio dela tem cenas de sexo do que o contrário. 50 Tons tenta ter uma historinha, mas os personagens não a sustentam. O primeiro beijo do casal só vem lá pela página 100, quando você não aguenta mais se perguntar por onde anda aquele sexo todo que as editoras venderam porque, francamente, foi pra isso que eu comecei a ler e realmente não me importo pela vida mal desenvolvida dos personagens planos e chatos.
7. "Intumescer" é a palavra mais feia da língua portuguesa.
Acho que quando a gente critica alguma coisa, a gente tem que ter argumentos de porque não gosta. (“Enlatado norte-americano” não é um argumento bom o suficiente.) Nem acho que a história da menina virgem de 21 anos que se apaixona perdidamente por um milionário sadomaso seja lá tão ruim. Provavelmente um escritor melhor conseguiria contar essa história direito, deixando sexy de verdade, sem clichês absurdos (“Eu não faço amor. Eu fodo. Com força.”). De qualquer forma, pelo menos o primeiro livro, vai agradar apenas dois tipos de pessoas: as que não lêem ou as que não fazem sexo.
2.1.13
Automutilação
Gosto de pintar as unhas em casa. Não sou a melhor manicure do mundo, mas pelo menos não gasto dinheiro com o serviço de outra pessoa que faria os mesmos erros que eu. E eu tiro as cutículas. Todos os blogs de beleza e revistas de moda e até minha mãe me dizem que eu não deveria tirar as cutículas. Elas protegem as unhas de infecções, não deixando as bactérias entrarem. Além disso, se eu tirar a cutícula, ela volta maior e mais grossa, como um sistema de defesa do corpo. Influsive é por isso que não é aconselhável lixar a pele morta dos pés, a pele só vai voltar mais grossa e mais áspera. O jeito é hidratar: a cutícula, o pé e o cotovelo.
Comprei mil creminhos para os dedos. O pé não me incomoda muito, nem o cotovelo. Um tônico mágico da Avon que diminui a cutícula, uma beleza. Funciona mesmo, mas tem que passar todo dia. Uma cerinha maravilhosa da Granado que, além de tudo, tem um cheirinho gostoso. Mas tem que passar duas vezes ao dia. Aí a pele morta desaparece, as beiradinhas grossas dos cantinhos das unhas ficam macias, os fiapinhos de pele cortada nem aparecem tanto. Mas em meia hora a pele seca. De qualquer jeito, odeio a sensação de mãos pegajosas. Melam o teclado do computador, a telinha do celular, fica difícil manusear as chaves, separar o dinheiro e abrir sacolinhas plásticas e virar páginas de livros se tornam tarefas quase impossíveis.
Minhas cutículas vivem ressecadas. E eu, perfeccionista que sou (apesar de nunca conseguir terminar nada), teimo em levar aquele alicate cego à pele morte. Estes são os dias bons. Alicate deixa tudo certinho. Quando estou longe dele, puxo a pele com as outras unhas, com os dentes. Não consigo me conter. Faço isso quando estou entediada e sem o que fazer com as mãos, no ônibus, em palestras e aulas, vendo TV.
Gosto de ocupar as mãos enquanto preciso pestar atenção em alguma coisa. Fazer duas coisas ao mesmo tempo, principalmente se a segunda ação for completamente automática e livre de pensamento, faz com que a segunda se faça com mais atenção. Me disperso com facilidade. Sempre tive que tomar notas em aulas, senão acabava presa em um delírio qualquer por horas a fio. Acontece a mesma coisa conversando com pessoas, preciso me policiar o tempo todo. E, nessas, arranco pedacinhos da pele das pontinhas dos dedos.
Costumava roer as unhas quando era mais nova. Pegue nojo do pozinho que se acumulava embaixo e parei. Aí comecei o novo vício. Quando comecei a realmente cuidar dos dedos, com todos os produtinhos de que falei mais cedo, comecei a arrancar cabelo e pele do couro cabeludo. Fiquei com medo de que o cabelo começasse a cair. Realmente gosto do meu cabelo. É dourado e ondulado e todo mundo acha bonito. Não quero que ele caia. Voltei a comer a cutícula.
Comprei mil creminhos para os dedos. O pé não me incomoda muito, nem o cotovelo. Um tônico mágico da Avon que diminui a cutícula, uma beleza. Funciona mesmo, mas tem que passar todo dia. Uma cerinha maravilhosa da Granado que, além de tudo, tem um cheirinho gostoso. Mas tem que passar duas vezes ao dia. Aí a pele morta desaparece, as beiradinhas grossas dos cantinhos das unhas ficam macias, os fiapinhos de pele cortada nem aparecem tanto. Mas em meia hora a pele seca. De qualquer jeito, odeio a sensação de mãos pegajosas. Melam o teclado do computador, a telinha do celular, fica difícil manusear as chaves, separar o dinheiro e abrir sacolinhas plásticas e virar páginas de livros se tornam tarefas quase impossíveis.
Minhas cutículas vivem ressecadas. E eu, perfeccionista que sou (apesar de nunca conseguir terminar nada), teimo em levar aquele alicate cego à pele morte. Estes são os dias bons. Alicate deixa tudo certinho. Quando estou longe dele, puxo a pele com as outras unhas, com os dentes. Não consigo me conter. Faço isso quando estou entediada e sem o que fazer com as mãos, no ônibus, em palestras e aulas, vendo TV.
Gosto de ocupar as mãos enquanto preciso pestar atenção em alguma coisa. Fazer duas coisas ao mesmo tempo, principalmente se a segunda ação for completamente automática e livre de pensamento, faz com que a segunda se faça com mais atenção. Me disperso com facilidade. Sempre tive que tomar notas em aulas, senão acabava presa em um delírio qualquer por horas a fio. Acontece a mesma coisa conversando com pessoas, preciso me policiar o tempo todo. E, nessas, arranco pedacinhos da pele das pontinhas dos dedos.
Costumava roer as unhas quando era mais nova. Pegue nojo do pozinho que se acumulava embaixo e parei. Aí comecei o novo vício. Quando comecei a realmente cuidar dos dedos, com todos os produtinhos de que falei mais cedo, comecei a arrancar cabelo e pele do couro cabeludo. Fiquei com medo de que o cabelo começasse a cair. Realmente gosto do meu cabelo. É dourado e ondulado e todo mundo acha bonito. Não quero que ele caia. Voltei a comer a cutícula.
22.11.12
Spike, tacho, caveira
Eu já devo ter comentado aqui - ou em alguma outra rede social - que eu entro na moda no inverno e saio de novo no verão. A moda de inverno sempre tem uma pegadinha rocker, de preto e branco, renda, tachas, coisas de Londres. E como eu quero muito morar em Londres, acabo me vestindo como se morasse lá. No verão não acho nada que eu goste. Tropical, cores quentes, laranjão, rosa pink, moda praia, hippie chic. Até fica legal em algumas pessoas, mas não em mim. Não combina em nada com a minha personalidade.
Mas aí esse verão aconteceu uma coisa estranha. A pegadinha rocker que veio no inverno continuou. Spikes, crucifixos, tachonas, sapatões pesados, caveiras. Tudo que eu realmente gosto muito e estava começando a parar de usar porque, né?, coisa de adolescente. Mas aí eu vejo mulheres adultas e sérias misturando várias pulseiras de spike e sapatos de tachas em lojas para gente grande. Não preciso mais ir à Galeria do Rock procurar um bom colar com pingente de crucifixo enorme e tem caveirinha em absolutamente tudo, até pulseirinha de feira hippie. Vi na internet que creeper está na moda. Como eu quis um creeper aos 16 anos, quando era gótica-poser que olhava as lojas de roupas de vinil na internet, sonhando com o mundo em que eu pudesse usar todas essas coisas sem vergonha nem me sentir deslocada. Estou até conseguindo usar as bijuterias de adolescente normalmente. E até gente bicho grilo já elogiou meu coturno que vai até o joelho.
A parte legal é que vende colar de spike até na Morana. Comprei uma sandália cheia de tachos e spikes e minha mãe pediu emprestada. Achei um colarzinho lindo com uma caveira fincada numa adaga por R$2,50 na lojinha trash de biju da rodoviária. Posso usar todos os acessórios de adolescente de novo, vestir o que eu realmente acho bonito sem parecer criança. Comprar o mundo dos spikes. Spike na bolsa, no casaco, no sapato, nas bijuterias todas. Só tenho restrições básicas a pulseiras. Sei lá, vou ter que achar uma realmente muito bonita que não me lembre braceletes de Black Metal. Caveiras em tudo também. E crucifixos, claro. E aí eu espero a modinha passar e visto essas coisas pelo resto da vida.
O lado ruim é que é modinha. E vejo pulseira de spike neon. E meninas que não tem a menor idéia de nada usando caveiras em tudo. Bom. Vai passar. Na próxima estação, quando Alexander McQueen ou Valentino inventarem outra coisa e todo mundo for copiar.
Mas mesmo assim, me dá uma sensação meio esquisita de ver todo mundo vestido como eu.
Mas aí esse verão aconteceu uma coisa estranha. A pegadinha rocker que veio no inverno continuou. Spikes, crucifixos, tachonas, sapatões pesados, caveiras. Tudo que eu realmente gosto muito e estava começando a parar de usar porque, né?, coisa de adolescente. Mas aí eu vejo mulheres adultas e sérias misturando várias pulseiras de spike e sapatos de tachas em lojas para gente grande. Não preciso mais ir à Galeria do Rock procurar um bom colar com pingente de crucifixo enorme e tem caveirinha em absolutamente tudo, até pulseirinha de feira hippie. Vi na internet que creeper está na moda. Como eu quis um creeper aos 16 anos, quando era gótica-poser que olhava as lojas de roupas de vinil na internet, sonhando com o mundo em que eu pudesse usar todas essas coisas sem vergonha nem me sentir deslocada. Estou até conseguindo usar as bijuterias de adolescente normalmente. E até gente bicho grilo já elogiou meu coturno que vai até o joelho.
A parte legal é que vende colar de spike até na Morana. Comprei uma sandália cheia de tachos e spikes e minha mãe pediu emprestada. Achei um colarzinho lindo com uma caveira fincada numa adaga por R$2,50 na lojinha trash de biju da rodoviária. Posso usar todos os acessórios de adolescente de novo, vestir o que eu realmente acho bonito sem parecer criança. Comprar o mundo dos spikes. Spike na bolsa, no casaco, no sapato, nas bijuterias todas. Só tenho restrições básicas a pulseiras. Sei lá, vou ter que achar uma realmente muito bonita que não me lembre braceletes de Black Metal. Caveiras em tudo também. E crucifixos, claro. E aí eu espero a modinha passar e visto essas coisas pelo resto da vida.
O lado ruim é que é modinha. E vejo pulseira de spike neon. E meninas que não tem a menor idéia de nada usando caveiras em tudo. Bom. Vai passar. Na próxima estação, quando Alexander McQueen ou Valentino inventarem outra coisa e todo mundo for copiar.
Mas mesmo assim, me dá uma sensação meio esquisita de ver todo mundo vestido como eu.
25.10.12
Fluxo
Prometi pra mim mesma que nunca escreveria sobre relacionamentos. Principalmente ex-relacionamentos que deram errado. Parece tão banal, todo mundo faz isso. Mas acho que às 4h30 da manhã, quando você não consegue se concentrar pra estudar e quando não há chocolate o suficiente em casa - e você nem queria que houvesse depois de perder aqueles 10kg, vitoriosa e persistentemente. Mas a gente se sente triste de madrugada. E o motivo de ficar triste é você. É tudo aquilo que você me disse. Que me fez acreditar. Parei de contar histórias por causa de você. Comecei a achar meu português ruim, esqueci como se escreviam as palavras, não consegui dar vida a um personagem. Fantasia pura?, você me dizia, Você deveria escrever realismo fantástico, muito mais interessante. Criticava tudo que eu fazia. Me diminuia até eu acreditar que nunca seria capaz de fazer mais nada. Me fez acreditar que a única coisa válida em mim era meu corpo e mesmo assim insistia em criticá-lo. Me criticar tanto por quê? Medo de quem você é? Medo de ficar ao lado de uma mulher tão ou mais inteligente que você? Medo de as outras pessoas perceberem sua namorada? Medo de que eu escolhesse um deles? E certamente todos eram melhores que você. Cansei de olhar em volta e te comparar a todos os homens da sala e você ser o menos desejável. Olhando para trás, não sei o que vi em você, depois desses anos todos. Acho que gostava da pessoa awkward que você era. Gostava porque fazia eu me sentir melhor também. Alguém tão ou mais estranho que eu. Introspectivo, ruim com as palavras, com dificuldade de se relacionar. E você é assim. Você sabe que é, mas não admite. E não vai admitir nunca. Faz questão de ter milhões de amigos, de mostrar ao mundo o quanto você é melhor que todos eles. Mas enquanto todos os seus amigos foram fazer doutorado no exterior, você continua aqui, na Campinas que você odeia, reclamando que está jogando a vida fora por pesquisar demais e não ter se tornado escritor. Você é bem pior que eu nesse quesito, admita. Eu sempre tentei ser original em tudo, no estilo e tal. Você simplesmente chupava o que gostava, escrevia igualzinho ao João Ubaldo Ribeiro. Que graça tem nisso? Ler o suficiente até decorar e fazer igual. E se dizer gênio em vez de chamar de homenagem. Seus poemas eram ridículos, não queriam dizer nada. No fim acho que foi culpa minha. Me interessei por você porque você gostava de escrever, mas escrevia bem pior que eu, que é a única coisa que eu sei fazer direito. No fim a culpa foi minha por não ter percebido antes. E, mesmo tendo percebido, ter me agarrado a você por medo de não conseguir me sustentar sozinha e de nunca mais encontrar ninguém que gostasse de mim - por mais que você também não gostasse mais de mim. Mas me sinto feliz por eu ter dado um fim a tudo. E, por mais que eu continue com raiva de você e continue sem ter uma pessoa nova, fiz três filmes maravilhosos nesse meio tempo, me reinventei, voltei a usar as roupas que eu gostava e redescobrir minhas músicas favoritas e o tipo de arte mórbida que eu sei que você desprezava. E eu sei que você vai sempre falar de mim pra todas as outras namoradas, do mesmo jeito que você falou da outra pra mim durante 3 anos (Não acredito que perdi tanto tempo.). E no fim eu preferia você mil vezes quando era só um matemático e deixava as divagações sobre a vida e sobre a arte - que, afinal, é minha especialidade - só pra mim.
E você dizia que eu deveria escrever em fluxos, como o Jack Kerouac e sua trupe de beatniks babacas. Cá estou eu escrevendo, mas não consigo deixar de voltar e corrigir. É assim que se escreve, é assim que eu aprendi a escrever e sempre funcionou.
E você dizia que eu deveria escrever em fluxos, como o Jack Kerouac e sua trupe de beatniks babacas. Cá estou eu escrevendo, mas não consigo deixar de voltar e corrigir. É assim que se escreve, é assim que eu aprendi a escrever e sempre funcionou.
21.9.12
Fico pensando o que é que vai acontecer primeiro. Se são meus olhos que vão estourar ou minha traquéia que vai pular pra fora. Traquéia, levando brônquios, bronquíolos, pulmões. Tudo que aprendi na aula de biologia há tantos anos atrás. Sinto, além dos arranhões doloridos na garganta, que minha cabeça de repente dobrou de volume. Não apenas de volume, mas de massa. Não, duplicar seria muito pouco. Sinto nele o peso do mundo. Todo o espaço que sobra entre o cérebro e as paredes do crânio devem estar cheios de ranho. Apertando os olhos para fora, por cima e por baixo, forçando saída pelas narinas e pelos ouvidos. Empurram caminho garganta acima, entalando na base, fazendo fila pra sair. Me sinto toda suja, um poço de secreção gosmenta e amarela. Em breve, vai querer sair por debaixo das minhas unhas.
Tosse, tosse, tosse.
E não sei o que é pior. O pó ou a lama. Faziam 63 dias que não chovia. É isso mesmo? 63 dias de poeira, secura, dor de cabeça, necessidade de cremes hidratantes grudentos, com cheiros excessivamente doces, necessidade de água, água, água. Agora a água chegou. Choveu um pouquinho na quarta, na quinta... Eu gosto de chuvisco, de garoa. Não gosto quando chove demais. Parece que a natureza está contra a gente. Água, granizo, relâmpago, trovão que encomoda os cachorros, que insistem em entrar dentro de casa, que sujam a casa porque têm medo de sair, ventania que levanta as telhas, que derruba árvores e paredes de tijolos, tempestade. E tudo parece mais sujo, quando a poiera vira lama, muito mais difícil de limpar dos sapatos, do chão da cozinha, das calçadas.
Tosse, tosse, tosse.
Me recuso a fazer referências a pneumotórax. Mas assumo que tossir desse jeito, há 6 dias sem parar, cansa. Cansa muito.
Tosse, tosse, tosse.
E não sei o que é pior. O pó ou a lama. Faziam 63 dias que não chovia. É isso mesmo? 63 dias de poeira, secura, dor de cabeça, necessidade de cremes hidratantes grudentos, com cheiros excessivamente doces, necessidade de água, água, água. Agora a água chegou. Choveu um pouquinho na quarta, na quinta... Eu gosto de chuvisco, de garoa. Não gosto quando chove demais. Parece que a natureza está contra a gente. Água, granizo, relâmpago, trovão que encomoda os cachorros, que insistem em entrar dentro de casa, que sujam a casa porque têm medo de sair, ventania que levanta as telhas, que derruba árvores e paredes de tijolos, tempestade. E tudo parece mais sujo, quando a poiera vira lama, muito mais difícil de limpar dos sapatos, do chão da cozinha, das calçadas.
Tosse, tosse, tosse.
Me recuso a fazer referências a pneumotórax. Mas assumo que tossir desse jeito, há 6 dias sem parar, cansa. Cansa muito.
7.6.12
Ray Bradbury
O único livro que lembro de ter lido do Bradbury, que morreu ontem, aos 91 anos, foi Fahrenheit 451. Eu sabia que havia um filme do Troufaut, mas queria ler o livro antes. Li recentemente e foi maravilhoso. Uma obra de arte fantástica que reflete tanto os anos 60 quanto continua incrivelmente atual nos dias de hoje. Ainda mais atual. Li, na obra onde os livros não precisam mais existir, o retrato da sociedade contemporânea, mostrando ou que nosso querido autor norte-americano fosse mesmo um visionário ou que a sociedade nunca muda. Pendo mais para a segunda hipótese.
A sociedade retratada é um mundo onde ninguém lê, onde a imagem substitui completamente a palavra, traduzido, em um dos únicos acertos do diretor francês, em um jornal feito inteiramente em quadrinhos. Não sei se jornal de quadrinhos seria um passo para trás, mas notícias feitos inteiramente de fotografias, fotomontagens e infográficos, deixando cada vez menos espaço para a interpretação, talvez o sejam. As casas possuem televisões gigantes. A esposa do personagem principal (de cujos nomes jamais me lembrarei) é uma personagem nouvelle vague absolutamente maravilhosa em seu descaso completo com o mundo, sua paixão pela "família" da TV, seus fones de ouvido constantes e seus remédios para dormir (que Troufaut reciclou, da pior maneira possível, como uma pessoa simplesmente blasé, mas amável e preocupada com o marido de qualquer modo). Ela insiste em instalar a quarta parede, cobrindo todo o espaço possível com realidade artificial. Em tempos de aparelhos televisivos cada vez maiores e menos perceptíveis, transformando salas de estar em pequenos cinemas particulares, perfeitos para a evasão para mundos fantásticos sem o menor esforço, nada é mais atual.
Há alguns anos, fiz uma matéria de Sociologia da Comunição, uma disciplina das Ciências Sociais. Fiz meu trabalho final acerca da televisão 3D, novidade tecnológica máxima na época. Apesar de a maioria dos alunos ter entendido plenamente quando o professor, curador da Bienal de Arte de São Paulo, afirmou só gostar de "arte contemporânea boa", seja lá o que isso queira dizer, os alunos do lado de lá, tão engajados em rádios livres e mostras de cinema "de luta", ficaram bastante intrigados com o meu desconforto em relação à novidade do mercado, provavelmente porque vivem ainda nos anos 60 e não fazem questão nem de ler seus próprios e-mails.
Eu tenho medo da TV 3D - e continuo militando contra aparelhos em HD até que eles se tornem abosultamente necessários como padrão de mercado - porque acredito, indo contra a escola de Chicago, que as pessoas realmente não sabem distinguir realidade de ficção. Se está na TV, no Brasil, principalmente, é verdade. Que podemos dizer de hologramas que nos falam? Parece tão real, não é mesmo? É tão convincente. O Eduardo Coutinho mostrou as pessoas falando tão bem, sem cortes, como poderíamos negar? O Michael Moore me mostrou todo o horror dos Estados Unidos, como eu poderia sonhar em ir para a Disney agora?
Minha parte preferida, no entanto, foi o discurso do policial chefe de que os livros começaram a ser queimados porque as pessoas queriam. As pessoas pararam de ler por vontade própria, para não se aborrecerem. Livros ofensivos contra negros, mulheres, judeus, etc, eram aos poucos sendo censurados. Livros ofensivos contra diversos estilos de vida eram censurados, até que todos os livros, já que todas as pessoas possuem pontos de vistas distintas umas das outras, foram censuradas. Para que se lembrar do ódio? É muito mais fácil fingir que nada disso aconteceu. Retratos de épocas piores não deveriam existir. Não vivemos em uma utopia maravilhosa sem preconceitos? Para que ler "O Grande Gatsby" com seu antissemitismo pulgente se podemos simplesmente imaginar que a culpa do Holocausto estava toda em um homem do outro lado do Oceano?
Restringe-se a comunicação e, consequentemente, as idéias, simplesmente censurando-as. É preciso ler. Ler livros, ler filmes, ler obras de arte, ler a televisão. É preciso lembrar. Bradbury nos mostra uma época onde as pessoas preferem não pensar. O Alckim é um monstro totalitário, o PSDB quer matar todos os pobres do Brasil, mas o PT é maravilhoso, elegendo sempre minorias para nos governar com competência e sem falha alguma.
Dizem que a TV é a vida, ao passo que o cinema é a morte, sendo que a TV continua para sempre, em seus fluxos infindáveis, mesmo às madrugadas onde vemos jóias à venda ou aos domingos onde assistimos casais de celebridades se superando em competições físicas ou programas de namoro. A TV estará sempre lá, com excesso de informação e barulhos o suficiente para impedir que consigamos pensar.
No finalzinho do livro, completamente ignorado por Troufaut (o que me fez perder a vontade de ver qualquer um de seus outros filmes), quando a cidade é destruída por uma guerra nuclear, somos apresentados a um delírio do personagem principal que vê sua esposa, sozinha em casa, quando as emissoras de TV param de funcionar. Apagadas, as enormes telas em todas as paredes tornam-se espelhos, revelando o que a gente esquecia. Ela se olha, pela primeira vez em anos. Forçada a se ver, sem o advento maravilhoso do fluxo de imagens e sons para se distrair, ela se vê, finalmente. Morre gritando, horrorizada pelo que finalmente consegue enxergar.
Ela sou eu. Ela é você. Ela é todos nós que nos escondemos atrás de uma tela de uma máquina, ignorando o dia em que a internet vai cair e não teremos seriados da HBO ou filmes europeus ou livros de poesia ou papel e caneta o suficiente para nos distrair enquanto ela não voltar.
A sociedade retratada é um mundo onde ninguém lê, onde a imagem substitui completamente a palavra, traduzido, em um dos únicos acertos do diretor francês, em um jornal feito inteiramente em quadrinhos. Não sei se jornal de quadrinhos seria um passo para trás, mas notícias feitos inteiramente de fotografias, fotomontagens e infográficos, deixando cada vez menos espaço para a interpretação, talvez o sejam. As casas possuem televisões gigantes. A esposa do personagem principal (de cujos nomes jamais me lembrarei) é uma personagem nouvelle vague absolutamente maravilhosa em seu descaso completo com o mundo, sua paixão pela "família" da TV, seus fones de ouvido constantes e seus remédios para dormir (que Troufaut reciclou, da pior maneira possível, como uma pessoa simplesmente blasé, mas amável e preocupada com o marido de qualquer modo). Ela insiste em instalar a quarta parede, cobrindo todo o espaço possível com realidade artificial. Em tempos de aparelhos televisivos cada vez maiores e menos perceptíveis, transformando salas de estar em pequenos cinemas particulares, perfeitos para a evasão para mundos fantásticos sem o menor esforço, nada é mais atual.
Há alguns anos, fiz uma matéria de Sociologia da Comunição, uma disciplina das Ciências Sociais. Fiz meu trabalho final acerca da televisão 3D, novidade tecnológica máxima na época. Apesar de a maioria dos alunos ter entendido plenamente quando o professor, curador da Bienal de Arte de São Paulo, afirmou só gostar de "arte contemporânea boa", seja lá o que isso queira dizer, os alunos do lado de lá, tão engajados em rádios livres e mostras de cinema "de luta", ficaram bastante intrigados com o meu desconforto em relação à novidade do mercado, provavelmente porque vivem ainda nos anos 60 e não fazem questão nem de ler seus próprios e-mails.
Eu tenho medo da TV 3D - e continuo militando contra aparelhos em HD até que eles se tornem abosultamente necessários como padrão de mercado - porque acredito, indo contra a escola de Chicago, que as pessoas realmente não sabem distinguir realidade de ficção. Se está na TV, no Brasil, principalmente, é verdade. Que podemos dizer de hologramas que nos falam? Parece tão real, não é mesmo? É tão convincente. O Eduardo Coutinho mostrou as pessoas falando tão bem, sem cortes, como poderíamos negar? O Michael Moore me mostrou todo o horror dos Estados Unidos, como eu poderia sonhar em ir para a Disney agora?
Minha parte preferida, no entanto, foi o discurso do policial chefe de que os livros começaram a ser queimados porque as pessoas queriam. As pessoas pararam de ler por vontade própria, para não se aborrecerem. Livros ofensivos contra negros, mulheres, judeus, etc, eram aos poucos sendo censurados. Livros ofensivos contra diversos estilos de vida eram censurados, até que todos os livros, já que todas as pessoas possuem pontos de vistas distintas umas das outras, foram censuradas. Para que se lembrar do ódio? É muito mais fácil fingir que nada disso aconteceu. Retratos de épocas piores não deveriam existir. Não vivemos em uma utopia maravilhosa sem preconceitos? Para que ler "O Grande Gatsby" com seu antissemitismo pulgente se podemos simplesmente imaginar que a culpa do Holocausto estava toda em um homem do outro lado do Oceano?
Restringe-se a comunicação e, consequentemente, as idéias, simplesmente censurando-as. É preciso ler. Ler livros, ler filmes, ler obras de arte, ler a televisão. É preciso lembrar. Bradbury nos mostra uma época onde as pessoas preferem não pensar. O Alckim é um monstro totalitário, o PSDB quer matar todos os pobres do Brasil, mas o PT é maravilhoso, elegendo sempre minorias para nos governar com competência e sem falha alguma.
Dizem que a TV é a vida, ao passo que o cinema é a morte, sendo que a TV continua para sempre, em seus fluxos infindáveis, mesmo às madrugadas onde vemos jóias à venda ou aos domingos onde assistimos casais de celebridades se superando em competições físicas ou programas de namoro. A TV estará sempre lá, com excesso de informação e barulhos o suficiente para impedir que consigamos pensar.
No finalzinho do livro, completamente ignorado por Troufaut (o que me fez perder a vontade de ver qualquer um de seus outros filmes), quando a cidade é destruída por uma guerra nuclear, somos apresentados a um delírio do personagem principal que vê sua esposa, sozinha em casa, quando as emissoras de TV param de funcionar. Apagadas, as enormes telas em todas as paredes tornam-se espelhos, revelando o que a gente esquecia. Ela se olha, pela primeira vez em anos. Forçada a se ver, sem o advento maravilhoso do fluxo de imagens e sons para se distrair, ela se vê, finalmente. Morre gritando, horrorizada pelo que finalmente consegue enxergar.
Ela sou eu. Ela é você. Ela é todos nós que nos escondemos atrás de uma tela de uma máquina, ignorando o dia em que a internet vai cair e não teremos seriados da HBO ou filmes europeus ou livros de poesia ou papel e caneta o suficiente para nos distrair enquanto ela não voltar.
4.6.12
Cellistas finlandeses
Eu estava meio desacreditada que ia acontecer. Comprei o ingresso do show do Apocalyptica em Abril e mandei entregar na casa da minha tia em São Paulo, que era mais garantido de o correio entregar que na roça daqui de casa. Esperei o mês inteiro e não chegou. Me mandaram pegar o convite na porta. Fui com medo de não conseguir entrar. Ia de carona, acabei indo com ônibus de excursão. Combinei de encontrar uma amiga minha da internet de muitos anos, super fã, por lá. Descobri que ela havia chegado às oito horas da manhã, viu a banda chegar de van e estava na grade. Eu cheguei às cinco, sendo que o show começaria às sete, consegui pegar meu convite depois de minutos de apreensão em que ninguém aparecia na bilheteria (ganhei um convite de cortesia, que era vermelho em vez de azul), fiquei uns minutos tentando me comunicar com a amiga e consegui me espremer até chegar pertinho da grade. Estava morrendo de sede, mas não queria sair de lá e perder meu lugar.
O Carioca Club é uma casa de shows engraçada. Entrando no site deles vi que tinha show do Calcinha Preta em um dia e do Dimmu Borgir no outro fim de semana. O logo é todo colorido e o cabeçalho do site tem fotos de bandas de forró. Mesmo assim, vi uma dúzia de dias reservados para bandas de metal do leste europeu bem pesado. Depois descobri que um amigo meu tinha ido em um show do Curumim no mesmo lugar. Ah!, as casas de eventos pequenas que aceitam qualquer coisa. Mas é legal, é bonito, vende bebida, o palco é grande, cabe muita gente, a pista é curta, então todo mundo assiste o show igual, até quem está no camarote. Então, depois de duas horas em pé esperando e ouvindo o adolescente atrás de mim descobrir ser muito mais daltônico do que ele pensava (o que me divertiu, já que a amiga da grade estava meio longe e não dava pra conversar), eles chegaram.
E foi lindo. E mágico. E eles são de verdade. E lindos. E o som é muito mais pesado e maravilhoso ao vivo. Quero vê-los sempre, sempre, sempre. E quero levar todo mundo que eu conheço porque a experiência é maravilhosa. Foi quase sexual. Vocês não têm idéia de como 3 cellos são sexies. Como uma guitarra nunca vai ser. E quando eles tocaram Nothing Else Matters e o público todo começou a cantar, até chorei um pouquinho. Aparte de eles não terem tocado Somewhere Around Nothing, minha música preferida, eu ter confundido as música tudo, a noite foi perfeita.
O coturno, ainda novo, deixou meus tornozelos em carne viva. Fiquei surda por alguns instantes por ter ficado muito perto das caixas de som, minha garganta está raspando de tanto gritar e meu pescoço está doendo até agora porque o palco era quase do meu tamanho e eles tocaram Refuse/Resist. Mas ver show da grade em ambientes pequenos é fantástico.
Percebi, no meio do show, que eu, gênia, tinha esquecido o cartão de memória da câmera enfiado no notebook que estava lindamente em cima da minha escrivaninha. Tudo bem, me contentei com as 10 fotos que tirei, de qualidade terrível, mostrando os caras de pertinho - sem zoom! De Perttinho, né? (hihihi) Curti o resto do show numa boa. Chegando em casa, resolvi passar as fotos da memória da câmera pro cartão. Porque eu comprei a câmera no freeshop do Chile, todas as opções estavam em espanhol. Eu juro que não tinha percebido isso até ontem. Bem que eu vi que tudo estava muito mais difícil de achar que o normal. E aí, fuçando, achei uma função que parecia querer dizer o que eu queria. Quando fui ver as fotos, a câmera me disse que não tinha nenhuma. Não entendi. Passei a língua para o português.
Vocês sabem o que eu fiz, senhoras e senhores, com as fotos dos músicas de pertinho para fazer inveja a todos os meus amiguinhos? Vocês sabem?
Eu formatei. Formatei a porra da câmera.
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Mas eu já consegui recuperar as fotos. Então ficam só os 15 minutos de pânico.
O Carioca Club é uma casa de shows engraçada. Entrando no site deles vi que tinha show do Calcinha Preta em um dia e do Dimmu Borgir no outro fim de semana. O logo é todo colorido e o cabeçalho do site tem fotos de bandas de forró. Mesmo assim, vi uma dúzia de dias reservados para bandas de metal do leste europeu bem pesado. Depois descobri que um amigo meu tinha ido em um show do Curumim no mesmo lugar. Ah!, as casas de eventos pequenas que aceitam qualquer coisa. Mas é legal, é bonito, vende bebida, o palco é grande, cabe muita gente, a pista é curta, então todo mundo assiste o show igual, até quem está no camarote. Então, depois de duas horas em pé esperando e ouvindo o adolescente atrás de mim descobrir ser muito mais daltônico do que ele pensava (o que me divertiu, já que a amiga da grade estava meio longe e não dava pra conversar), eles chegaram.
E foi lindo. E mágico. E eles são de verdade. E lindos. E o som é muito mais pesado e maravilhoso ao vivo. Quero vê-los sempre, sempre, sempre. E quero levar todo mundo que eu conheço porque a experiência é maravilhosa. Foi quase sexual. Vocês não têm idéia de como 3 cellos são sexies. Como uma guitarra nunca vai ser. E quando eles tocaram Nothing Else Matters e o público todo começou a cantar, até chorei um pouquinho. Aparte de eles não terem tocado Somewhere Around Nothing, minha música preferida, eu ter confundido as música tudo, a noite foi perfeita.
O coturno, ainda novo, deixou meus tornozelos em carne viva. Fiquei surda por alguns instantes por ter ficado muito perto das caixas de som, minha garganta está raspando de tanto gritar e meu pescoço está doendo até agora porque o palco era quase do meu tamanho e eles tocaram Refuse/Resist. Mas ver show da grade em ambientes pequenos é fantástico.
Percebi, no meio do show, que eu, gênia, tinha esquecido o cartão de memória da câmera enfiado no notebook que estava lindamente em cima da minha escrivaninha. Tudo bem, me contentei com as 10 fotos que tirei, de qualidade terrível, mostrando os caras de pertinho - sem zoom! De Perttinho, né? (hihihi) Curti o resto do show numa boa. Chegando em casa, resolvi passar as fotos da memória da câmera pro cartão. Porque eu comprei a câmera no freeshop do Chile, todas as opções estavam em espanhol. Eu juro que não tinha percebido isso até ontem. Bem que eu vi que tudo estava muito mais difícil de achar que o normal. E aí, fuçando, achei uma função que parecia querer dizer o que eu queria. Quando fui ver as fotos, a câmera me disse que não tinha nenhuma. Não entendi. Passei a língua para o português.
Vocês sabem o que eu fiz, senhoras e senhores, com as fotos dos músicas de pertinho para fazer inveja a todos os meus amiguinhos? Vocês sabem?
Eu formatei. Formatei a porra da câmera.
5.5.12
DIY Porta-coisas de Cerveja
Vejo as pessoas postando tutoriais e fico com vontade também. Fui pra um bar chique, pedi um cerveja chique e decidi que queria guardar a lata porque era bonita. Pra não ficar acumulando lixo aqui em casa (afinal, tive que tirar a foto na cama porque minha escrivaninha está coberta de tranqueira), resolvi fazer um porta-coisas dele. Não tirei fotos do processo porque foi muito simples. Voilá:
Tentei abrir com abridor de latas, um desses, mas entortou tudo. Como o alumínio era muito fininho, decidi abrir com faca de cozinha. E eu, burra, tirei foto do único lado onde eu furei a lata. Foi razoavelmente fácil, tirando que eu me cortei um pouco (na lata, não com a faca, incrivelmente) e que ficou todo irregular. Pra eu não me cortar mais, dobrei o que sobrou pra dentro com um alicate. Foi meu pai, o homem mais prático do mundo, que deu a idéia, na verdade. Ele pegou um alicatão e um alicatinho e foi moldando até ficar mais ou menos certo. Minha idéia inicial era cortar com uma tesoura de metal (tem no Departamento de Artes Plásticas da universidade) pra ficar certinho, mas desse jeito ficou mais... hun... élfico, para combinar com o resto da lata.
E vocês viram minha caneta do Pato Donald? Eu gosto da minha caneta do Pato Donald.
Aliás, a cerveja da lata é uma delícia. É irlandesa, escura e cremosa. É forte, mas não tanto como Guinnes. Chama Wexford.
Tentei abrir com abridor de latas, um desses, mas entortou tudo. Como o alumínio era muito fininho, decidi abrir com faca de cozinha. E eu, burra, tirei foto do único lado onde eu furei a lata. Foi razoavelmente fácil, tirando que eu me cortei um pouco (na lata, não com a faca, incrivelmente) e que ficou todo irregular. Pra eu não me cortar mais, dobrei o que sobrou pra dentro com um alicate. Foi meu pai, o homem mais prático do mundo, que deu a idéia, na verdade. Ele pegou um alicatão e um alicatinho e foi moldando até ficar mais ou menos certo. Minha idéia inicial era cortar com uma tesoura de metal (tem no Departamento de Artes Plásticas da universidade) pra ficar certinho, mas desse jeito ficou mais... hun... élfico, para combinar com o resto da lata.
E vocês viram minha caneta do Pato Donald? Eu gosto da minha caneta do Pato Donald.
Aliás, a cerveja da lata é uma delícia. É irlandesa, escura e cremosa. É forte, mas não tanto como Guinnes. Chama Wexford.
18.4.12
Coisas que todo mundo gosta menos eu
Eu já tava pensando em fazer um post sobre isso. Aí a Mia me passou em meme, então casou direitinho.
Eu já fui mais do contra na adolescência. Não gostava de nada que todo mundo gostava, escolhia as minhas bandas favoritas pela quantidade de integrantes das comunidades do orkut - quanto menos, melhor -, e adorava, principalmente, dizer isso. Proclamar, batendo no peito, "eu só gosto do que ninguém gosta!", com a minha camiseta desbotada e furada do Batman (guardada, hoje, com todo o amor no fundo do armário).
Mas a gente cresce e aprende que não gostar das coisas só porque é "modinha", porque "todo mundo faz" ou porque "todo mundo que eu odeio gosta" são motivos meio bestas de desgostar de coisas legais e/ou boas. Se bem que esse último motivo continua forte o suficiente até hoje.
Cuidado com o vocabulário chulo porque estou falando de coisas que eu odeio. Tirem as crianças da sala e vamos nessa! *gira o boné para trás*
4. Brigadeiro
Não é que eu não goste. Eu só não acho maravilhoso. Todo mundo chega na festa infantil e vai direto na mesa de docinho roubar brigadeiros sem a mãe do aniversariante ou alguma criança ver, mas eu acho brigadeiro enjoativo. Poxa, gente, é leite condensado, chocolate em pó e margarina - tudo junto! Doce demais. Sempre preferi beijinho. Tudo de côco é melhor. Tudo.
Aliás, já que é pra reclamar, docinhos de festa chique, tipo casamento, costumam ser muito enjoativos. Deviam ter mais côco.
3. Fotos "vintage"
Sabe as fotos da sua tia com os amigos hippies dos anos 70? Ou os polaroids perdidos no grande armário das fotos? E as fotos de quando você era criança com aquelas calças moletom e aqueles casacos com estampas duvidosas dos anos 80/90? Compara com o Instagram. Compara com os tutoriais de efeito "vintage" da internet. Percebeu que não têm nada a ver? Não sei porque as pessoas querem amarelar as coisas. Foto antiga não fica amarela desse jeito.
E outra: fotos em tons pastéis. Galera tira foto da porra do pôr do sol e deixa em tons pastéis. Já deu, né? Cor pastel é coisa de menina fresca sem personalidade, sinto muito.
2. Dança de salão
Eu não gosto de dançar em dupla. Me sinto oprimida. Só gosto de dançar sozinha. Ou com alguém com quem eu queria *cof cof* sair depois. Dançar é muito íntimo, assim como massagens. Além disso, ritmos latinos são chatos. E andam tocando em todos os lugares. Do mundo.
1. Pink Floyd
Mas coooooomo assiiiiiiim você não gosta de Pink Floydi??? É que eu gosto de chocar as pessoas. Todas as pessoas que gastam fortunas pra ir ver o Roger Waters todos os anos. Engraçado é que esses dias eu fui fazer essa confissão pra um amigo meu e ele me disse que ele achava que ninguém gosta de Pink Floyd de verdade. Que era mais questão de status, que as pessoas nem ouviam. E deve ser verdade. Não só é chato e sonolento o suficiente, como ainda me lembra algumas pessoas insuportáveis.
Eu já fui mais do contra na adolescência. Não gostava de nada que todo mundo gostava, escolhia as minhas bandas favoritas pela quantidade de integrantes das comunidades do orkut - quanto menos, melhor -, e adorava, principalmente, dizer isso. Proclamar, batendo no peito, "eu só gosto do que ninguém gosta!", com a minha camiseta desbotada e furada do Batman (guardada, hoje, com todo o amor no fundo do armário).
Mas a gente cresce e aprende que não gostar das coisas só porque é "modinha", porque "todo mundo faz" ou porque "todo mundo que eu odeio gosta" são motivos meio bestas de desgostar de coisas legais e/ou boas. Se bem que esse último motivo continua forte o suficiente até hoje.
Cuidado com o vocabulário chulo porque estou falando de coisas que eu odeio. Tirem as crianças da sala e vamos nessa! *gira o boné para trás*
4. Brigadeiro
Não é que eu não goste. Eu só não acho maravilhoso. Todo mundo chega na festa infantil e vai direto na mesa de docinho roubar brigadeiros sem a mãe do aniversariante ou alguma criança ver, mas eu acho brigadeiro enjoativo. Poxa, gente, é leite condensado, chocolate em pó e margarina - tudo junto! Doce demais. Sempre preferi beijinho. Tudo de côco é melhor. Tudo.
Aliás, já que é pra reclamar, docinhos de festa chique, tipo casamento, costumam ser muito enjoativos. Deviam ter mais côco.
3. Fotos "vintage"
Sabe as fotos da sua tia com os amigos hippies dos anos 70? Ou os polaroids perdidos no grande armário das fotos? E as fotos de quando você era criança com aquelas calças moletom e aqueles casacos com estampas duvidosas dos anos 80/90? Compara com o Instagram. Compara com os tutoriais de efeito "vintage" da internet. Percebeu que não têm nada a ver? Não sei porque as pessoas querem amarelar as coisas. Foto antiga não fica amarela desse jeito.
E outra: fotos em tons pastéis. Galera tira foto da porra do pôr do sol e deixa em tons pastéis. Já deu, né? Cor pastel é coisa de menina fresca sem personalidade, sinto muito.
2. Dança de salão
Eu não gosto de dançar em dupla. Me sinto oprimida. Só gosto de dançar sozinha. Ou com alguém com quem eu queria *cof cof* sair depois. Dançar é muito íntimo, assim como massagens. Além disso, ritmos latinos são chatos. E andam tocando em todos os lugares. Do mundo.
1. Pink Floyd
Mas coooooomo assiiiiiiim você não gosta de Pink Floydi??? É que eu gosto de chocar as pessoas. Todas as pessoas que gastam fortunas pra ir ver o Roger Waters todos os anos. Engraçado é que esses dias eu fui fazer essa confissão pra um amigo meu e ele me disse que ele achava que ninguém gosta de Pink Floyd de verdade. Que era mais questão de status, que as pessoas nem ouviam. E deve ser verdade. Não só é chato e sonolento o suficiente, como ainda me lembra algumas pessoas insuportáveis.
18.3.12
Underground
Comecei a ler um estudo antropológico sobre o metal extremo underground no Brasil. E mais: é uma dissertação de mestrado pela UFRJ. Não, eu não estou brincando. É verdade. Vocês não têm noção das coisas que se acha na biblioteca de teses da Unicamp, por exemplo.
Enfim. Black metal. O livro cita muitos exemplos de pessoas que vivem pelo metal extremo e transformam a música e a cultura underground em suas vidas. Eles todos têm empregos considerados baixos ou moram com os pais. Ganham o suficiente para pagar as contas e gastam tudo que ganham pra gravar CDs de suas bandas ou continuar escrevendo seus zines. Eles falam orgulhosamente de como não fazem aquilo para ganhar dinheiro, aliás, desprezam o lucro. Movem-se e gravam seus discos e fazem seus shows pelo simples amor ao mundo underground, pelo que sentem pela música.
E eu achei tudo isso muito engraçado. O modo como falam, como se a música pesada fosse assim tão importante. Afinal, há contas para pagar, há lugares distantes do mundo para conhecer, há comidas diferentes para comer, há, Deus!, eletrônicos e livors e sapatos novos para consumir.
Eu vou me formar em Julho. Eu ia me formar em Dezembro, mas fiquei com medo do mercado de trabalho. Eu não tinha um estágio e não queria ficar desempregada. Trabalhar é bom, não é mesmo? A gente faz alguma coisa com o nosso tempo, se sente útil, move o mercado e a sociedade. Mas o que eu sei fazer? O que eu sei fazer melhor que as outras pessoas, que se traduza no meu currículo - que já tem 2 páginas de bobagens universitárias - e que me pague o suficiente para eu poder viajar pra um lugar legal no final do ano? Tudo que eu gostaria de fazer paga extremamente mal. E o que paga bem é incrivelmente tedioso.
Uma vez um amigo meu que deve ser a pessoa mais inteligente que eu conheço me disse que não devemos fugir do mercado, que o mercado é uma coisa boa. Ele é hacker, vegetariano e tem um filho para criar. Meu pai me disse uma vez que se tornar um milionário é muito fácil. É só você poupar o suficiente e que poupar não é tão difícil assim. Antes de ter filhos grandes ele e minha mãe juntaram dinheiro suficiente para construir a nossa casa. Quer dizer, é tudo uma questão de escolhas.
E meus pais sempre disseram para eu ser feliz. Uma vez eu contei para uma amiga que minha mãe era médica e meu pai, engenheiro. E ela me perguntou como no mundo eles me deixaram fazer midialogia. Eu respondi que eles sempre me deram liberdade. E canetinhas e papel e lápis e os livros que eu quisesse.
Sempre me espelhei na minha mãe. Não porque ela ganha muito bem, mas porque ela trabalha de segunda a segunda e continua amando o que faz. Porque ela tem quase 60 anos, estaciona na vaga de idosos e não pensa em se aposentar tão cedo.
E enquanto isso eu vejo a lista de empregos e freelas disponíveis e não quero fazer nenhum deles.
E eu lembro dos black metaleiros em suas lojas de discos e suas distribuidoras underground, trabalhando simplesmente pela música. E a vozinha dentro de mim sussurra baixinho.
...Talvez eles estejam certos.
Enfim. Black metal. O livro cita muitos exemplos de pessoas que vivem pelo metal extremo e transformam a música e a cultura underground em suas vidas. Eles todos têm empregos considerados baixos ou moram com os pais. Ganham o suficiente para pagar as contas e gastam tudo que ganham pra gravar CDs de suas bandas ou continuar escrevendo seus zines. Eles falam orgulhosamente de como não fazem aquilo para ganhar dinheiro, aliás, desprezam o lucro. Movem-se e gravam seus discos e fazem seus shows pelo simples amor ao mundo underground, pelo que sentem pela música.
E eu achei tudo isso muito engraçado. O modo como falam, como se a música pesada fosse assim tão importante. Afinal, há contas para pagar, há lugares distantes do mundo para conhecer, há comidas diferentes para comer, há, Deus!, eletrônicos e livors e sapatos novos para consumir.
Eu vou me formar em Julho. Eu ia me formar em Dezembro, mas fiquei com medo do mercado de trabalho. Eu não tinha um estágio e não queria ficar desempregada. Trabalhar é bom, não é mesmo? A gente faz alguma coisa com o nosso tempo, se sente útil, move o mercado e a sociedade. Mas o que eu sei fazer? O que eu sei fazer melhor que as outras pessoas, que se traduza no meu currículo - que já tem 2 páginas de bobagens universitárias - e que me pague o suficiente para eu poder viajar pra um lugar legal no final do ano? Tudo que eu gostaria de fazer paga extremamente mal. E o que paga bem é incrivelmente tedioso.
Uma vez um amigo meu que deve ser a pessoa mais inteligente que eu conheço me disse que não devemos fugir do mercado, que o mercado é uma coisa boa. Ele é hacker, vegetariano e tem um filho para criar. Meu pai me disse uma vez que se tornar um milionário é muito fácil. É só você poupar o suficiente e que poupar não é tão difícil assim. Antes de ter filhos grandes ele e minha mãe juntaram dinheiro suficiente para construir a nossa casa. Quer dizer, é tudo uma questão de escolhas.
E meus pais sempre disseram para eu ser feliz. Uma vez eu contei para uma amiga que minha mãe era médica e meu pai, engenheiro. E ela me perguntou como no mundo eles me deixaram fazer midialogia. Eu respondi que eles sempre me deram liberdade. E canetinhas e papel e lápis e os livros que eu quisesse.
Sempre me espelhei na minha mãe. Não porque ela ganha muito bem, mas porque ela trabalha de segunda a segunda e continua amando o que faz. Porque ela tem quase 60 anos, estaciona na vaga de idosos e não pensa em se aposentar tão cedo.
E enquanto isso eu vejo a lista de empregos e freelas disponíveis e não quero fazer nenhum deles.
E eu lembro dos black metaleiros em suas lojas de discos e suas distribuidoras underground, trabalhando simplesmente pela música. E a vozinha dentro de mim sussurra baixinho.
...Talvez eles estejam certos.
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