21.1.10

do caprincho.

levou dois dias esquematizando o convite ideal. fez frente e verso combinando, lindos, uma obra de arte grafica. pin-ups, combinação de texturas vitorianas e tipografia escolhida a dedo. comprou um bloco inteiro de papel texturizado para fazer quantas impressões fossem precisas até que ficasse perfeito. foi à gráfica próxima de casa. detestou o primeiro resultado. foi procurar outro estabelecimento mais distante. a primeiro cópia ficou perfeita. da segunda em diante, a tinta falhava cada vez mais. depois de horas brigando com a impressora, até que saísse qualquer coisa melhor que aceitável, descobriu que seu querido cartão magnético não seria aceito na loja. teve que rodar a cidade atrás de um banco. encontrou, pagou, foi embora. comprou lindos envelopes cor de vinho, quase da mesma cor do fundo do convite. um tom sobre tom. envelopes pequenos, delicados. adquiriu adesivinhos redondinhos, prateados, combinando com a caneta prateada para escrever endereços. treinou a caligafria antes de anotar os nomes das convidadas. tomou muito cuidado para não ceder à fraqueza habitual do tremor das mãos. percebeu que o adesivo lindo era pequena demais para assegurar que o envelope ficasse fechado por todo o seu trajeto. decidiu fazer bom uso da goma colante disponpivel nas agências dos correios.

à primeira pincelada, percebeu como aquilo havia sido uma péssima idéia. litros de cola escorriam dos lugares delimitados, enrrugando a superfície do envelope, colando um envelope ao outro, tirando toda a beleza de tudo que havia sido trabalhado com tanta calma até então. não tinha envelopes o suficiente para trocá-los. teve medo de os envelopes agora estarem grudados aos convites. realmente não queria que os convites fossem estragados.

com dor no coração, humilhada pela simples existência da goma, entregou à funcionária dos correios os convites de pin-ups e texturas vitorianas, envoltos de lindos envelopes cor de vinho, lacrados com delicados adesivos prateados, que combinavam com a caligrafia caprichada em tinta prateada. tudo isso embrutecido pela goma colante em excesso.

7 comentários:

Pedro disse...

Que pena que deu errado, porque um convite bonito é, não sei por que razão, um sinal de preocupação do anfitrião.

sobrefatalismos disse...

Eis a prova de pecar pelo excesso. A simplicidade é virtude de poucos.

Emi disse...

mas há quem vá dizer que a goma era o charme.

mahewau

gabi disse...

Já que chorar não adianta , eu fingiria que a goma foi erro do Correio , não meu.
Mas a mentira tem perna curta , não é?

Filipe disse...

Por isso é sempre bom comprar cola-bastão. Depois de um tempo não tem mais nada, é verdade, mas é o melhor que se pode fazer...

Daniela disse...

Eu lastimo muito por ela. E não me espantaria se algo do tipo acontecesse comigo (aliás, o meu espanto reside no fato de NUNCA ter acontecido comigo :P).
* * *
Pois é. Acho que voltei.
Bjos

Glauber Ramone disse...

só pelo fato de vc ter feito tudo na mão, pra mim, já vale mais do que qqer coisa!