1.4.15

Do tempo que eu achava que Skrillex era uma mulher

Eu não sei distinguir gêneros muito bem. Talvez eu seja uma pessoa muito iluminada livre desse tipo de preconceito. Ou talvez eu só seja muito desligada mesmo. Na verdade as pessoas dizem que sou muito desligada com alguma frequência. A última vez foi semana passada quando eu não percebi que uns pivetes estavam para assaltar eu e minha amiga enquanto bebíamos na praça. Olha só como sou livre de preconceitos de novo. Sou mesmo um poço de iluminação.

De qualquer jeito, quando o dubstep apareceu, eu tinha certeza absoluta de que Skrillex era uma menina. Uma menina muito cool com sidecut, roupas de menino e um nome artístico legal e agressivo. Tinha uma vibe meio Joan Jet. E eu achava ótimo que uma mulher tinha inventado um gênero novo de música eletrônica tão revolucionário e barulhento que todo mundo odiava. Eu até ficava brava com as pessoas quando elas criticavam dubstep porque eu achava que elas só não gostavam porque foi uma mulher que inventou. Naquela época eu tinha acabado de sair de um relacionamento problemático, descoberto o feminismo e estava numa fase bastante misândrica. Mas eu não lembro de realmente ter brigado com alguém porque essa também era a fase que eu guardava todas as minhas frustrações. Mas, né?, precisamos apoiar a arte das minas.

Aí aconteceu de eu descobrir que a Skrillex namorava outra menina e tive que a reação que eu sempre tenho quando descubro que uma artista que eu gosto é gay: fico contente pela diversidade, mas traída porque é uma pessoa a menos pra me fazer sentir menos bosta por ser héteto. Parece que todas as meninas legais do mundo são lésbicas ou bissexuais, é tipo uma condição para ser legal. Queria mais minas legais héteros misândricas que se abstêm de fazerem sexo, como eu.

E então, depois de muito tempo, li uma notícia sobre Skrillex que usava o artigo masculino. Artigos. Palavrinhas tão pequenas que abrem o chão sob nossos pés e fazem nossas vidas perderem completamente o sentido. Nada pior que descobrir que sua ídola na verdade é um homem. Cis. Hétero. Que pesadelo.

Voltei a achar a Shirley Manson o suprassumo do cool e adotei o meu próprio sidecut. Ainda gosto de dubstep, mas agora podem dizer o que quiserem do Skrillex que não é mais problema meu.

Um comentário:

Gabriela Couth disse...

Eu nunca ouvi hahhaahhahahahahahhaah Mas amei o post! De verdade. Também não sou muito boa em distinguir gêneros, e frequentemente recorro aquela pergunta do início dos jogos do pokémon: are you a boy or a girl?

E assim seguimos vivendo.
Beijo!