19.11.11

Síndrome de Asperger

Eu não gosto de dizer que me considero estranha porque acho isso de uma presunção absurda. Uma vez vi uma entrevista com a Lady Gaga em que ela dizia que ela não é só uma performer louca, que ela é louca daquele jeito mesmo. Sei lá, talvez eu seja muito reclacada, mas eu acho que toda loucura é criada por alguém. Que no fundo somos todos iguais e gostamos das mesmas coisas e dizemos que não, que somos loucos, mesmo que a loucura seja nas coisas que todo mundo faça, como conversar com objetos. Sério, todo mundo que eu conheço briga com a impressora. E não é porque eu faço um curso de humanas numa universidade estadual paulista, onde a proporção de "loucos" é maior que em outros lugares. Aliás, todo mundo que me diz que "é meio louco mesmo" são as pessoas mais comuns do mundo. No máximo usam drogas, que também não é nenhuma loucura. Na sociedade pós-freudiana em que a gente se encontra, as pessoas procuram diagnosticar todas as coisas que fazem. Procrastinação vira DDA, mudanças de humor vira transtorno bipolar, nervosismo vira síndrome do pânico e frescura de não querer misturar tipos de talheres vira TOC. Assim, bem Alienista.

A minha doença é Síndrome de Asperger. Sou dessas pessoas que lê sintoma de doença psiquiátrica e fica tentando se diagnosticar. Já pensei que tivesse DDA, mas quando eu contei pra minha mãe ela riu de mim e disse que eu era preguiçosa mesmo. Depois eu descobri isso de Asperger, que é um tipo de autismo que incluiu ser muito criativo ou muito inteligente. Presunsoso pra caralho, né? Quando eu era criança as professorinhas da escolinha diziam que eu era autista. Diziam pra minha mãe e ela respondeu que eu não era não, que eu conversava com ela. Além disso, eu tenho memórias bem vívidas de conviver com as outras crianças. Eu só era muito insegura e, na maioria das vezes, não gostava delas. Tenho medo de me diagnosticar de verdade algum dia, descobrir que eu realmente tenho alguma coisa, tomar remédio e virar outra pessoas.

5 comentários:

Kamilla Barcelos disse...

Esse seu texto me fez refletir muito. Realmente as pessoas que se dizem estranhas ou loucas, são as mais comuns, mais sem-graça. Deu uma banalizada boa nos sintomas psicológicos.

Todesangel disse...

Tomar remédio não é muito divertido.

Emi disse...

Aaah, eu tenho meio que um preconceito com essas coisas. É que pra mim às vezes parece frescura, sabe? Sei que não é certo pensar assim, mas acho mesmo que tem gente que se apega a um diagnóstico desse e começa a viver baseado nisso. No lugar de crescer, tem gente que parece que só afunda mais depois de receber um nome bonitinho pro que tem.

Mas, enfim, também já me "diagnostiquei" com DDA e me disseram a mesma coisa que sua mãe disse pra você. haha Acho que estão certos. Mas preferia pensar que não, aí não seria eu a culpada... rs

Anônima disse...

Adorei esse seu texto.
Normalmente, as pessoas têm essa mania de dizer que "são loucas" e coisas assim, pode parecer contraditório, mas eu sempre soube que tinha alguma coisa errada comigo, recentemente comecei a pesquisar e consultar uma psicóloga e uma psiquiatra.
Acontece que cada uma vive me dando um diagnóstico diferente.. "Tu pode ser bipolar", "Talvez tu tenha depressão"... É impressionante!
Uma das possibilidades foi a síndrome de asperger, mas eu não me encaixei em alguns aspectos e agora já sei o que eu tenho: TPA (transtorno de personalidade antissocial). Só que é meio complicado sair na rua e dizer que eu tenho isso, normalmente as pessoas não gostam de saber que convivem com uma psicopata... - por mais "inofensiva" que eu seja.

http://garotapsicopata.com

Anônimo disse...

O mundo inteiro parece sofrer de algum distúrbio psicológico. E (estranhamente) isso é considerado normal. Pelo menos é aceitável e justifica (ou disfarça) uma série de deformidades de caráter de trocentas pessoas por aí afora. Mil vezes admitir a bipolaridade, a depressão ou até a esquizofrenia do que me aceitar um bruto, arrogante, orgulhoso, preguiçoso, egoísta, mimado ou pobrezinho querendo chamar a atenção. Colocar a culpa numa disfunção qualquer alivia tudo. Alivia até a nossa consciência daquilo que realmente somos...