Eu adoro desenhos animados. 2D e stop-motion, de preferência, tendo sido criada assistindo aos filmes da Disney. Aí eu resolvi que queria virar animadora profissionalmente. E aí caiu na minha mão de fazer a abertura para um projeto de conclusão de curso de televisão e eu inventei de animar - no Photoshop, já que tenho um tablet, mas não uma mesa de animação (daquelas de madeira, inclinadas, com lâmpada embaixo, pra poder ver o desenho anterior).
Tendo assistido ao making-of que passava depois do filme no VHS da Branca de Neve e de outros clássicos, eu aprendi que pra fazer um desenho bem legal vc tinha que desenhar o cenário em uma folha, e cada personagem que se mexia em folhas separadas, pra facilitar o trabalho. Lendo livros a respeito, aprendi que se anima cada parte do corpo do personagem de uma vez e que, principalmente, se você não quer ter trabalho, nem comece a animar. Quer dizer, é difícil o suficiente, né?
Mas não, você fez aula de história do cinema I e II, fez de edição, aprendeu tudo sobre movimentos de câmera e enquadramento, tem zilhões de filmes bacanas no repertório e não consegue fazer uma cena com planos parados. Travelling é seu nome do meio. Os personagens precisam dançar ENQUANTO a câmera se aproxima. O olhar do expectador precisa passear pela mesa de buraco.
E sabe a píor parte? A pior parte é que quem escreveu o roteiro foi você mesmo. E enquanto isso, você não consegue fazer uma linha reta com o tablet.
Ainda temos um mês. E 360 quadros pra fazer.
29.4.11
23.4.11
Futebol
Uma das coisas que eu acho mais fascinante no universo masculino é a atitude em relação ao futebol. Claro que não se trata exclusivamente de um problema do sexo oposto, mas eu conheço um número significativamente maior de homens apaixonados por esporte que mulheres. Os motivos sociológicos disso me ultrapassam, mas isso não importa, não por enquanto. Parece que o esporte é para os homens o que a moda é para as mulheres (salvos as devidas proporções): ambos são de uma importância intangível para o outro.
Me espanto com discussões calorosas em mesas de bar ou mesmo em sofás domésticos sobre as posições dos jogadores em campo, as mesas redondas no rádio e na televisão, a quantidade de programas dedicadas exclusivamente a isso em todos os canais de televisão aberta, os canais inteiros na tv fechada apenas sobre este único assunto. Me impressiona a ferocidade dos assuntos comentados, as certezas absolutas, o tempo e, principalmente, o dinheiro dedicado a isso. Tudo isso faz parecer que futebol, em especial, é o assunto mais importante do mundo. Supera a política externa norte-americana, as crises politico-sociais dos países árabes, a economia brasileira e todos os desastres naturais do Japão.
O melhor, na verdade, é o descaso dos jogadores, técnicos, presidentes de clubes em relação ao próprio time. Os jogadores mudam a cada ano, indo para onde lhes pagam mais, como se fosse só outro emprego, escalações para clubes maiores, mais importantes e, claro, com salários mais formosos. Paixão é pelo lado dos torcedores, pelos comentaristas incansáveis. Torcem por um brasão, apenas por um símbolo, enquanto carregam todo o sofrimento de uma equipe inteira nas costas.
Me espanto com discussões calorosas em mesas de bar ou mesmo em sofás domésticos sobre as posições dos jogadores em campo, as mesas redondas no rádio e na televisão, a quantidade de programas dedicadas exclusivamente a isso em todos os canais de televisão aberta, os canais inteiros na tv fechada apenas sobre este único assunto. Me impressiona a ferocidade dos assuntos comentados, as certezas absolutas, o tempo e, principalmente, o dinheiro dedicado a isso. Tudo isso faz parecer que futebol, em especial, é o assunto mais importante do mundo. Supera a política externa norte-americana, as crises politico-sociais dos países árabes, a economia brasileira e todos os desastres naturais do Japão.
O melhor, na verdade, é o descaso dos jogadores, técnicos, presidentes de clubes em relação ao próprio time. Os jogadores mudam a cada ano, indo para onde lhes pagam mais, como se fosse só outro emprego, escalações para clubes maiores, mais importantes e, claro, com salários mais formosos. Paixão é pelo lado dos torcedores, pelos comentaristas incansáveis. Torcem por um brasão, apenas por um símbolo, enquanto carregam todo o sofrimento de uma equipe inteira nas costas.
15.4.11
Sobre coleções
Eu sou uma pessoa muito prática, ao contrário do que tudo indicaria. Acho que as únicas coisas inúteis que deveríamos cultivar são as histórias - e nem elas considero inúteis. Daí tenho horror a arte só para ser bonitinha, a peças de roupa que só servem de adereço e demais tranqueiras que poluem o ambiente. Decoração é válido, mas só se tiver valores sentimentais. Minha mãe e minha irmã, por outro lado, virginianas, são pessoas bem apegadas às coisas e guardam todas as bugigangas como lembrancinhas de todas as coisas do mundo. Aí, por algum motivo, aprendi que era certo guardar as coisas. E comecei a guardar, mesmo sem querer muito, agendas de outros ano, cartazes de exposições em que eu fui, convites de coisas, aqueles cartões postais com propagandas bacanas, agendas antigas, tudo.
Tive uma coleção bem grande de entradas de cinema. Eu gostava bastante, mas parei de juntar de uns anos pra cá quando começaram a imprimi-los em rolo de papel de recibo de cartão de crédito, o que faz com que a tinta saia com facilidade e percamos a recordação de qual ingresso é de que filme, tirando totalmente o sentido deles. Maldita modernidade.
Já colecionei ímãs, papel de fichário, papel de carta, adesivos, chaveiros, coisas de girafas, tive compulsão por brincos, esmaltes, essas coisas pequenas e baratas que usamos uma única vez. Mas parei. Chega uma hora que perde o sentido. Mais fácil só consumir o que se gosta e o que se vai usar em vez de só ir tentando juntar mais e mais coisas.
"O DVD é bom?"
"Não, só comprei pra completar a coleção."
Capitalismo selvagem. A parte boa de juntar coisa inútil é depois poder jogar tudo fora. E eu adoro jogar coisas fora.
Tive uma coleção bem grande de entradas de cinema. Eu gostava bastante, mas parei de juntar de uns anos pra cá quando começaram a imprimi-los em rolo de papel de recibo de cartão de crédito, o que faz com que a tinta saia com facilidade e percamos a recordação de qual ingresso é de que filme, tirando totalmente o sentido deles. Maldita modernidade.
Já colecionei ímãs, papel de fichário, papel de carta, adesivos, chaveiros, coisas de girafas, tive compulsão por brincos, esmaltes, essas coisas pequenas e baratas que usamos uma única vez. Mas parei. Chega uma hora que perde o sentido. Mais fácil só consumir o que se gosta e o que se vai usar em vez de só ir tentando juntar mais e mais coisas.
"O DVD é bom?"
"Não, só comprei pra completar a coleção."
Capitalismo selvagem. A parte boa de juntar coisa inútil é depois poder jogar tudo fora. E eu adoro jogar coisas fora.
2.4.11
Havia uma ruína no meu bairro da qual eu gostava muito. Eram os escombros de uma antiga fábrica de qualquer coisa, abandonada há anos. Haviam buracos nas paredes, em certos lugares não havia mais nem sinal do telhado, estava sujo e havia mofo nas paredes. A vegetação crescia solta por onde havia espaço, conquistando novamente o seu lugar, depois de perdê-lo, em outro tempo, para os homens e seu mundo de concreto. Era maravilhoso. Apesar de despedaçado, parecia um símbolo de resistência à chuva, ao vento, ao tempo. Era como um corpo, resistindo para manter-se em pé apesar das adversidades.
Resolvi fotografá-lo em um dia de sol em meio a semanas de muita chuva. Dei sorte por encontrar o céu aberto, perfeito para cores bonitas. Fotografei minha musa, com um filme de 36 poses coloridas e uma câmera analógica da universidade. Gostei de algumas fotos, outras não.
Um mês depois, descobri que finalmente o homem e seu mundo de concreto venceu. Derrubaram tudo que tinha sobrado da construção. Agora só há um grande terreno baldio, onde nem a grama sobrevive. Me entristeci, mas sinto que isso serve para deixar minhas fotografias - e aquele momento - muito mais especiais.
Resolvi fotografá-lo em um dia de sol em meio a semanas de muita chuva. Dei sorte por encontrar o céu aberto, perfeito para cores bonitas. Fotografei minha musa, com um filme de 36 poses coloridas e uma câmera analógica da universidade. Gostei de algumas fotos, outras não.
Um mês depois, descobri que finalmente o homem e seu mundo de concreto venceu. Derrubaram tudo que tinha sobrado da construção. Agora só há um grande terreno baldio, onde nem a grama sobrevive. Me entristeci, mas sinto que isso serve para deixar minhas fotografias - e aquele momento - muito mais especiais.
17.3.11
memórias do deserto
Eu fiquei um mês inteiro sem postar e nem contei o motivo. Quem me acompanha no flickr deve ter percebido um álbum inteiro de Israel. Isso não é um guiazinho de como ficar lá. Eu só passei 10 dias, em uma viagem em grupo, tombando de cidade em cidade, ficando alguns dias em cada um. Eu resolvi escrever isso porque muita gente têm muitas opiniões sobre lá, mas não faz idéia de como as pessoas vivem ou de como realmente é.

É muito caro viajar pro Oriente Médio. É longe e o vôo leva 14 horas. Eu fui com um grupo de jovens judeus. Judaísmo é quase a maçonaria, então tem uns esquemas de ajuda mútua muito interessantes. Pra mim, filha de um judeu, a viagem saiu de graça. Se você tem entre 18 e 26 anos, também é judeu, tem parentes judeus ou é muito bom em fingir tudo isso, vá também. Eu super recomendo. Como a viagem toda foi gratuita, eu não sei dizer sobre transporte público ou sobre onde ficar, pra quem quer ir por conta. Mas a boa notícia é que o shekel (moeda de lá) vale 0,47 reais, então tudo (menos comida) fica incrivelmente barato. O que também é uma coisa ruim, faz você gastar bem mais, já que tudo vale a pena.

A grande vantagem de Israel é que é um país muito, muito pequeno. Então em pouco tempo dá pra andar por todo ele. E é legal andar por tudo. Você vê desertos, vê plantações no meio do deserto, vê cidades árabes, cidades judias, a Faixa de Gaza, zilhões de igrejas antigas, o Muro das Lamentações e pedras, muitas pedras. O país todo não é uma grande ruína, mas é legal porque em todo canto há resquícios históricos impressionantes: construções romanas, muralhas dos cruzadas, muralhas napoleônicas (sim!) e, mais recentemente, buracos de bala de todas as guerras e intifadas. Se você gosta de pedras e ruínas, é o lugar mais legal do mundo.
De maneira geral, é um lugar maravilhoso. As pessoas vivem bem, a cultura é ótima, há realmente uma mistura grande com os árabes (as origens são praticamente as mesmas), todo mundo é bonito, as cidades são bem limpas e lindas, cheias de construções de pedra, come-se bem - apesar de ser caro -, a cerveja local é boa, o deserto é fantástico, andar de camelo é muito divertido, o mar morto é muito mais legal do que dizem e tem bijuterias lindas, lenços maravilhosos, roupas diferentes e os melhores cremes do mundo (sem cheiro!) por quase nada. Além disso, acho que todo mundo alguma vez na vida tem que conhecer Jerusalém.
Mas aí tem o outro lado. Há militares armados em todos os lugares e grupos de turistas com mais de 10 pessoas precisam ter um segurança armado junto. E aí você lembra que o único motivo de você estar lá, ouvindo hebraico na rua e comendo seu falafel feliz é porque tem um monte de gente presa do outro lado do muro, não tendo as mesmas oportunidades. E pensa em todas as pessoas que morreram pra defender no que acreditam e em como muitos deles eram tão jovens. E tudo isso está presente no ar, independente de onde você estiver. E pesa. E oprime de um jeito inimaginável.

Eu fiquei um mês inteiro sem postar e nem contei o motivo. Quem me acompanha no flickr deve ter percebido um álbum inteiro de Israel. Isso não é um guiazinho de como ficar lá. Eu só passei 10 dias, em uma viagem em grupo, tombando de cidade em cidade, ficando alguns dias em cada um. Eu resolvi escrever isso porque muita gente têm muitas opiniões sobre lá, mas não faz idéia de como as pessoas vivem ou de como realmente é.
É muito caro viajar pro Oriente Médio. É longe e o vôo leva 14 horas. Eu fui com um grupo de jovens judeus. Judaísmo é quase a maçonaria, então tem uns esquemas de ajuda mútua muito interessantes. Pra mim, filha de um judeu, a viagem saiu de graça. Se você tem entre 18 e 26 anos, também é judeu, tem parentes judeus ou é muito bom em fingir tudo isso, vá também. Eu super recomendo. Como a viagem toda foi gratuita, eu não sei dizer sobre transporte público ou sobre onde ficar, pra quem quer ir por conta. Mas a boa notícia é que o shekel (moeda de lá) vale 0,47 reais, então tudo (menos comida) fica incrivelmente barato. O que também é uma coisa ruim, faz você gastar bem mais, já que tudo vale a pena.
A grande vantagem de Israel é que é um país muito, muito pequeno. Então em pouco tempo dá pra andar por todo ele. E é legal andar por tudo. Você vê desertos, vê plantações no meio do deserto, vê cidades árabes, cidades judias, a Faixa de Gaza, zilhões de igrejas antigas, o Muro das Lamentações e pedras, muitas pedras. O país todo não é uma grande ruína, mas é legal porque em todo canto há resquícios históricos impressionantes: construções romanas, muralhas dos cruzadas, muralhas napoleônicas (sim!) e, mais recentemente, buracos de bala de todas as guerras e intifadas. Se você gosta de pedras e ruínas, é o lugar mais legal do mundo.
De maneira geral, é um lugar maravilhoso. As pessoas vivem bem, a cultura é ótima, há realmente uma mistura grande com os árabes (as origens são praticamente as mesmas), todo mundo é bonito, as cidades são bem limpas e lindas, cheias de construções de pedra, come-se bem - apesar de ser caro -, a cerveja local é boa, o deserto é fantástico, andar de camelo é muito divertido, o mar morto é muito mais legal do que dizem e tem bijuterias lindas, lenços maravilhosos, roupas diferentes e os melhores cremes do mundo (sem cheiro!) por quase nada. Além disso, acho que todo mundo alguma vez na vida tem que conhecer Jerusalém.
Mas aí tem o outro lado. Há militares armados em todos os lugares e grupos de turistas com mais de 10 pessoas precisam ter um segurança armado junto. E aí você lembra que o único motivo de você estar lá, ouvindo hebraico na rua e comendo seu falafel feliz é porque tem um monte de gente presa do outro lado do muro, não tendo as mesmas oportunidades. E pensa em todas as pessoas que morreram pra defender no que acreditam e em como muitos deles eram tão jovens. E tudo isso está presente no ar, independente de onde você estiver. E pesa. E oprime de um jeito inimaginável.
13.3.11
A Nina, cujo maravilhoso blog de prosa triste recomendo, em passou um meme. E, pela primeira vez em muito tempo, trata-se de um meme muito interessante. Diz ela que era um questionário do Proust.
Vamos a ele:
1. Qual é para você o cúmulo da miséria?
Fotografar-se sorrindo em frente à Faixa de Gaza (realmente vi acontecer, quase morri de desilusão humana) ou qualquer outra exploração de sofrimento, principalmente na tv.
2. Onde gostaria de viver?
Em um apartamento pequeno, com janelas grandes, onde entrasse muita luz de dia e de onde pudesse olhar para a cidade à noite, próximo a uma livraria, uma padaria, uma farmácia e um ponto de metrô.
3. Qual seu ideal de felicidade terrestre?
Poder viver do que se ama e com quem se ama de verdade.
4. Quais as faltas que merecem sua indulgência?
Todas as que já cometi.
5. Que qualidade prefere no homem?
A firmeza.
6. Que qualidade prefere na mulher?
Parece machista, mas a graça, como quando falamos de uma bailarina.
7. Por qual personagem da literatura se apaixonaria?
Um dos gêmeos Weasley, provavelmente o Jorge.
8. Seu palavrão preferido?
Porra. É quase um ponto de exclamação.
9. Qual seria para você a maior desgraça?
Morrer sem ter criado nada.
10. Como gostaria de morrer?
Sendo amada.
Vamos a ele:
1. Qual é para você o cúmulo da miséria?
Fotografar-se sorrindo em frente à Faixa de Gaza (realmente vi acontecer, quase morri de desilusão humana) ou qualquer outra exploração de sofrimento, principalmente na tv.
2. Onde gostaria de viver?
Em um apartamento pequeno, com janelas grandes, onde entrasse muita luz de dia e de onde pudesse olhar para a cidade à noite, próximo a uma livraria, uma padaria, uma farmácia e um ponto de metrô.
3. Qual seu ideal de felicidade terrestre?
Poder viver do que se ama e com quem se ama de verdade.
4. Quais as faltas que merecem sua indulgência?
Todas as que já cometi.
5. Que qualidade prefere no homem?
A firmeza.
6. Que qualidade prefere na mulher?
Parece machista, mas a graça, como quando falamos de uma bailarina.
7. Por qual personagem da literatura se apaixonaria?
Um dos gêmeos Weasley, provavelmente o Jorge.
8. Seu palavrão preferido?
Porra. É quase um ponto de exclamação.
9. Qual seria para você a maior desgraça?
Morrer sem ter criado nada.
10. Como gostaria de morrer?
Sendo amada.
12.3.11
26.2.11
Pra compensar a falta de posts, um bem grandão. E em inglês.
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The world ended yesterday. God must have remade the earth while we slept for it was impossible for anything to have survived the storm. Recreated, the city was badly made. The were hardly any trees standing and most of the buildings were broken. Timothy, the crazy man, said that this was Earth's reaction for the way we were badly treating it. He said there were too many dirty factories and too many oil carridges. But I am skeptic. I know it was God, punishing us for our filthy habits, for trying to imitate his creations in our mecanical way: cinemaskopes and photography and trying to create life. But why then did God leave my laboratory intact? It was I, after all, who was trying to create the most perfect flower. The flower beautiful enough for my bride's bouquet - splendid as her perfect blue eyes. I knew this would happen, the punishment, but I believed in forgiveness, for it was soulfully for love.
Pergaps I was right all along. Perhaps He is more angry with some other inventor in the land.
I decided to search everywhere for some source of evilness desguised as science. I knew of most the other alchemist of the town. Damien did his best to turn iron into gold, but the best he got was melted iron. He made his melted iron into utensils of all sorts and sold them to people who couldn't. I guess he really did manage to turn it into gold. Nevertheless, he continues to try his original endeavor. I don't believe God would be angry with a merchant. Tristan was strugglind against Death. He did what he could to discover imortality. The most he got was making a frog stir after it was already cold. God would never destroy all of us because of such failure. Tulip, who besides his name was truely a man, spent the most of his days trying to decifer old indian parchments. No one knew whether he is accomplishing his deed or not, I knew I must begin searching at Tulip.
Reaching his study room, I felt he had something to hide.
"You have survived the storm, I see," I said to him, walking through the wreck of his house.
"Yes," he answered me, stashing his papers away into the open drawers of his old wooden desk.
"What are you doing here, Andrew?" he asked me, on a manner that was not very polite.
"I think the Lord is punishing us," I said, recovering myself of his previous assault.
"What can he possibly be punishing us for, you fool?" he spat coarsely.
"For creating," I said, defending my theory. "Only the Lord can create life and modify it."
"It was only a storm," he said, now more quietly. "There is no rath of god in the weather."
"Is that what the indians tell you?" I was violent now. I was certain of being right. I must prove myself to this liar.
"The indians tell me to create. They say there is no god. Only man, women and nature. They say we are part of nature, that we are nothing above it."
"No God!" I must have screamed, he made me so angry. "How can you say there is no God? Are you mad?!"
He chuckled lightly, the kind of laugh that absolutely does not fit this scenario. He smiled at my shock and said, softly:
"Come, I will show you what god has not done."
He moved his desk revealing a trap door that led to the basement. It smelled strongly of formaldehyde even before we took the stairs. Tulip lit a candle and gave it to me. He lit another one for himself and bid me down the steps. The stench of dead bodies only grew stronger, as did my fear of finding out what indeed had caused the storm.
As we walked down, the yellow light of the candel revealed tanks of water containing some form of dead animal. I couldn't make out exactly what it was. Upon reaching the bottommost step, I saw the worst.
It was a bed, simply, with a boy lying on it. He was no older than twelve. At least it looked like a boy, but there was a huge cut with stiches on it where his sex should have been. And then I realised with horror what the things in the tanks were.
"Why are you castrating such young boys?" I asked furiously, unable to accept any answer.
"This in not a boy. She was never a boy, she was only born with the body of a boy, but she is really a girl."
I was startelled. This was the least possible reply I could expect. I could say nothing.
"You see? Your god made this child wrong. I must fix her."
I knew there was nothing wrong with his body. If there was anything to fix, it was his mind. Wasn't psicology such a great art to cure these things? The ridiculous suggestion made me even more angry.
"How dare you! How dare you change what God created! People cannot choose if they want to be man or woman, that is chosen for them and must not change! God has a plan for each of us in our own sex!"
"God doesn't exist," he answered quietly. "And people have the right to choose."
No, I thought, they didn't.
I knew God wanted me to destroy this man. I wandered how many other young boys had been sacrificed by this man.
It felt like rain again when I left the house. The open sky smelled moist and I could almost feel the first drop. It would clean me from the formoldehyde I had thrown Tulip and his horrid sexless creature into. I knew God would never punish me for punishing a heretic.
The world ended yesterday. God must have remade the earth while we slept for it was impossible for anything to have survived the storm. Recreated, the city was badly made. The were hardly any trees standing and most of the buildings were broken. Timothy, the crazy man, said that this was Earth's reaction for the way we were badly treating it. He said there were too many dirty factories and too many oil carridges. But I am skeptic. I know it was God, punishing us for our filthy habits, for trying to imitate his creations in our mecanical way: cinemaskopes and photography and trying to create life. But why then did God leave my laboratory intact? It was I, after all, who was trying to create the most perfect flower. The flower beautiful enough for my bride's bouquet - splendid as her perfect blue eyes. I knew this would happen, the punishment, but I believed in forgiveness, for it was soulfully for love.
Pergaps I was right all along. Perhaps He is more angry with some other inventor in the land.
I decided to search everywhere for some source of evilness desguised as science. I knew of most the other alchemist of the town. Damien did his best to turn iron into gold, but the best he got was melted iron. He made his melted iron into utensils of all sorts and sold them to people who couldn't. I guess he really did manage to turn it into gold. Nevertheless, he continues to try his original endeavor. I don't believe God would be angry with a merchant. Tristan was strugglind against Death. He did what he could to discover imortality. The most he got was making a frog stir after it was already cold. God would never destroy all of us because of such failure. Tulip, who besides his name was truely a man, spent the most of his days trying to decifer old indian parchments. No one knew whether he is accomplishing his deed or not, I knew I must begin searching at Tulip.
Reaching his study room, I felt he had something to hide.
"You have survived the storm, I see," I said to him, walking through the wreck of his house.
"Yes," he answered me, stashing his papers away into the open drawers of his old wooden desk.
"What are you doing here, Andrew?" he asked me, on a manner that was not very polite.
"I think the Lord is punishing us," I said, recovering myself of his previous assault.
"What can he possibly be punishing us for, you fool?" he spat coarsely.
"For creating," I said, defending my theory. "Only the Lord can create life and modify it."
"It was only a storm," he said, now more quietly. "There is no rath of god in the weather."
"Is that what the indians tell you?" I was violent now. I was certain of being right. I must prove myself to this liar.
"The indians tell me to create. They say there is no god. Only man, women and nature. They say we are part of nature, that we are nothing above it."
"No God!" I must have screamed, he made me so angry. "How can you say there is no God? Are you mad?!"
He chuckled lightly, the kind of laugh that absolutely does not fit this scenario. He smiled at my shock and said, softly:
"Come, I will show you what god has not done."
He moved his desk revealing a trap door that led to the basement. It smelled strongly of formaldehyde even before we took the stairs. Tulip lit a candle and gave it to me. He lit another one for himself and bid me down the steps. The stench of dead bodies only grew stronger, as did my fear of finding out what indeed had caused the storm.
As we walked down, the yellow light of the candel revealed tanks of water containing some form of dead animal. I couldn't make out exactly what it was. Upon reaching the bottommost step, I saw the worst.
It was a bed, simply, with a boy lying on it. He was no older than twelve. At least it looked like a boy, but there was a huge cut with stiches on it where his sex should have been. And then I realised with horror what the things in the tanks were.
"Why are you castrating such young boys?" I asked furiously, unable to accept any answer.
"This in not a boy. She was never a boy, she was only born with the body of a boy, but she is really a girl."
I was startelled. This was the least possible reply I could expect. I could say nothing.
"You see? Your god made this child wrong. I must fix her."
I knew there was nothing wrong with his body. If there was anything to fix, it was his mind. Wasn't psicology such a great art to cure these things? The ridiculous suggestion made me even more angry.
"How dare you! How dare you change what God created! People cannot choose if they want to be man or woman, that is chosen for them and must not change! God has a plan for each of us in our own sex!"
"God doesn't exist," he answered quietly. "And people have the right to choose."
No, I thought, they didn't.
I knew God wanted me to destroy this man. I wandered how many other young boys had been sacrificed by this man.
It felt like rain again when I left the house. The open sky smelled moist and I could almost feel the first drop. It would clean me from the formoldehyde I had thrown Tulip and his horrid sexless creature into. I knew God would never punish me for punishing a heretic.
5.1.11
26.12.10
natal.
passei o natal na casa dos meus pais. pai, mãe, irmão, irmã e eu. ah, claro, e todos os cachorros. sem familiar distante, sem árvore, sem presente. só nós, ceia, filme na tv aberta e tabuleiro de war. sem escândalo de família, reclamação de presente ruim, inveja de tio mais bem-sucedido, necessidade de conviver com outras pessoas que não gostamos ou de acordar cedo, de exibir a casa mais bonita ou a mesa mais farta e bem decorada.
só um fim de semana normal, com a louça refinada e peru em vez de frango.
foi o melhor natal desde 2000, na época que íamos todos os primos procurar o papai noel na casa da vovó.
passei o natal na casa dos meus pais. pai, mãe, irmão, irmã e eu. ah, claro, e todos os cachorros. sem familiar distante, sem árvore, sem presente. só nós, ceia, filme na tv aberta e tabuleiro de war. sem escândalo de família, reclamação de presente ruim, inveja de tio mais bem-sucedido, necessidade de conviver com outras pessoas que não gostamos ou de acordar cedo, de exibir a casa mais bonita ou a mesa mais farta e bem decorada.
só um fim de semana normal, com a louça refinada e peru em vez de frango.
foi o melhor natal desde 2000, na época que íamos todos os primos procurar o papai noel na casa da vovó.
1.12.10
Sobre Harry Potter.
Eu já falei sobre isso aqui. Acho que Harry Potter foi o livro mais importante da minha vida. Eu não tinha muitos amigos em nenhuma fase da escola, então era como se os personagens fossem meus amigos. Durante certo tempo da minha vida, eu podia relacionar tudo que acontecia comigo com episódios e passagens dos livros. Era fantasia de forma palpável. Passei anos esperando, inconscientemente, que uma coruja aparecesse com uma carta pra eu ir estudar em Hogwarts. Ficava ansiosa toda vez que via uma. Desisti aos 14 anos. Eu já estava velha demais. Para entrar na escola de bruxos, não para acreditar.
Acho que essas coisas são memórias de toda uma geração. Saber feitiços de cor, querer uma Firebolt de aniversário, comprar chapéus de bruxos em brechós. Quando eu soube que iam sair filmes, sabia que seria uma coisa ruim. Ia popularizar. (Eu sou indie desde criança.) Mas quis ver mesmo assim. Vi A Pedra Filosofal em DVD. Achei muito chato. Mas era Harry Potter. Assisti à Câmara Secreta três vezes no cinema, era legalzinho. Prisioneiro de Azkabam, não fossem todos os furos do roteiro, seria meu filme preferido, assim como tinha sido o livro. Cálice de Fogo já foi meio fraquinho. E eu realmente detestei A Ordem da Fênix. Eu não esperava mais nenhum dos filmes, sabia que destruiriam todos os outros, meus personagens queridos. Sabia que tirariam as melhores passagens dos próximos livros.
Eu não era muito fã dos filmes, eles todos eram mais ou menos. Bons pra ganhar dinheiro. Nenhum dos personagens (salvo Sirius Black, Bellatrix Lestrange, os gêmeos Wesley e, claro, Voldemort) convenciam muito. O único personagem dos três principais que mantinha o carisma dos livros era o Rony. Mesmo ele fazia caretas demais. E eu odiava o Daniel Radcliffe desde o primeiro filme. O que fizeram com meus personagens preferidos? O que fizeram com meus livros??
Há alguns meses atrás, sabendo que eu teria que ver todos os filmes eventualmente, aluguei o DVD do Enigma do Príncipe. E gostei. Foi um bom filme. Bem feito, até o Daniel Radcliffe estava atuando bem. E nem picotaram o livro! Fiquei mais otimista.
Mas eu nem sabia a data de estreia (pela primeira vez) do Relíquias da Morte. Fiquei surpresa (como a pressa de tudo nesse ano tem me surpreendido) que tinha entrado em cartaz agora em Novembro. Todos os outros, seguindo a tradição de blockbusters americanos, tinham saído em Junho. Ainda por cima, prometeram esse filme em 3D. Eu fiquei com medo. Relíquias da Morte é o melhor livro, meu preferido, com os melhores pedaços.
E, então, na data de estreia, vejo meu twitter inundado de pessoas dizendo o quanto gostaram do filme, que era lindo, que choraram quando o Dobby morreu, que a animação da história dos três irmãos era tão boa que nem parecia Harry Potter. Logo eu imaginei que fosse besteira de fãzinho que aceita qualquer coisa.
Mas não. Eu fui ver o filme ontem, numa sessão razoavelmente cheia para uma terça-feira à noite. Eu estava morrendo de enxaqueca e tinha acordado de mal-humor. Nunca nada me fez tão bem na vida. Eu só consigo pensar nele. Nem meus amontoados de trabalhos finais que parecem não estar andando conseguem me deixar menos feliz. Foi maravilhoso. Chorei o filme todo. É exatamente aquilo que eu esperava desde o primeiro filme, desde que anunciaram que fariam filmes de Harry Potter.
Os atores estão TODOS ótimos, os cenários são deslumbrantes, não cortaram nenhum pedacinho do livro. Todas as emoções estão lá. A desolação, o abandono, a falta de esperança do que fazer com Horcruxes que não sabemos onde estão nem como destruir. Beijos de verdade. É idiota, mas acho que isso mostra a mudança pelo qual os filmes passaram. Este está muito mais adulto, mais sóbrio. E, sim, a animação é a melhor parte do filme. De todos os filmes. É fantástico. Tão fluido...
Esse filme foi tão bom. Tão bom que nem lembra os outros. Nem de longe.
Eu já falei sobre isso aqui. Acho que Harry Potter foi o livro mais importante da minha vida. Eu não tinha muitos amigos em nenhuma fase da escola, então era como se os personagens fossem meus amigos. Durante certo tempo da minha vida, eu podia relacionar tudo que acontecia comigo com episódios e passagens dos livros. Era fantasia de forma palpável. Passei anos esperando, inconscientemente, que uma coruja aparecesse com uma carta pra eu ir estudar em Hogwarts. Ficava ansiosa toda vez que via uma. Desisti aos 14 anos. Eu já estava velha demais. Para entrar na escola de bruxos, não para acreditar.
Acho que essas coisas são memórias de toda uma geração. Saber feitiços de cor, querer uma Firebolt de aniversário, comprar chapéus de bruxos em brechós. Quando eu soube que iam sair filmes, sabia que seria uma coisa ruim. Ia popularizar. (Eu sou indie desde criança.) Mas quis ver mesmo assim. Vi A Pedra Filosofal em DVD. Achei muito chato. Mas era Harry Potter. Assisti à Câmara Secreta três vezes no cinema, era legalzinho. Prisioneiro de Azkabam, não fossem todos os furos do roteiro, seria meu filme preferido, assim como tinha sido o livro. Cálice de Fogo já foi meio fraquinho. E eu realmente detestei A Ordem da Fênix. Eu não esperava mais nenhum dos filmes, sabia que destruiriam todos os outros, meus personagens queridos. Sabia que tirariam as melhores passagens dos próximos livros.
Eu não era muito fã dos filmes, eles todos eram mais ou menos. Bons pra ganhar dinheiro. Nenhum dos personagens (salvo Sirius Black, Bellatrix Lestrange, os gêmeos Wesley e, claro, Voldemort) convenciam muito. O único personagem dos três principais que mantinha o carisma dos livros era o Rony. Mesmo ele fazia caretas demais. E eu odiava o Daniel Radcliffe desde o primeiro filme. O que fizeram com meus personagens preferidos? O que fizeram com meus livros??
Há alguns meses atrás, sabendo que eu teria que ver todos os filmes eventualmente, aluguei o DVD do Enigma do Príncipe. E gostei. Foi um bom filme. Bem feito, até o Daniel Radcliffe estava atuando bem. E nem picotaram o livro! Fiquei mais otimista.
Mas eu nem sabia a data de estreia (pela primeira vez) do Relíquias da Morte. Fiquei surpresa (como a pressa de tudo nesse ano tem me surpreendido) que tinha entrado em cartaz agora em Novembro. Todos os outros, seguindo a tradição de blockbusters americanos, tinham saído em Junho. Ainda por cima, prometeram esse filme em 3D. Eu fiquei com medo. Relíquias da Morte é o melhor livro, meu preferido, com os melhores pedaços.
E, então, na data de estreia, vejo meu twitter inundado de pessoas dizendo o quanto gostaram do filme, que era lindo, que choraram quando o Dobby morreu, que a animação da história dos três irmãos era tão boa que nem parecia Harry Potter. Logo eu imaginei que fosse besteira de fãzinho que aceita qualquer coisa.
Mas não. Eu fui ver o filme ontem, numa sessão razoavelmente cheia para uma terça-feira à noite. Eu estava morrendo de enxaqueca e tinha acordado de mal-humor. Nunca nada me fez tão bem na vida. Eu só consigo pensar nele. Nem meus amontoados de trabalhos finais que parecem não estar andando conseguem me deixar menos feliz. Foi maravilhoso. Chorei o filme todo. É exatamente aquilo que eu esperava desde o primeiro filme, desde que anunciaram que fariam filmes de Harry Potter.
Os atores estão TODOS ótimos, os cenários são deslumbrantes, não cortaram nenhum pedacinho do livro. Todas as emoções estão lá. A desolação, o abandono, a falta de esperança do que fazer com Horcruxes que não sabemos onde estão nem como destruir. Beijos de verdade. É idiota, mas acho que isso mostra a mudança pelo qual os filmes passaram. Este está muito mais adulto, mais sóbrio. E, sim, a animação é a melhor parte do filme. De todos os filmes. É fantástico. Tão fluido...
Esse filme foi tão bom. Tão bom que nem lembra os outros. Nem de longe.
26.11.10
cupcake.
ontem eu fui trocar um cupom do clube urbano na márcia mello. chegando na loja, vi na vitrine um vestido que eu queria muito. era de festa, preto, curto, de renda e com tule embaixo da saia. perfeito, tudo que eu sempre quis. aí eu entrei pra experimentar, feliz porque era uma das únicas peças bonitas que entrava na promoção.
perguntando pela peça pra vendedora, ela me disse que só tinha em lilás. eu odeio lilás. acho cor de menina fresca, neutra, daquelas que só vestem cores pastéis e nunca entram em discussões polêmicas. mas tudo bem. a maioria das pessoas não sabem o nome exato das cores. pedi pra moça trazer mesmo assim. o vestido não era lilás. era roxo. era quase roxo-escuro-túmulo, do jeito que eu adoro. mas, bem... roxo o vestido se tornava menos perfeito. tudo bem, continuava bonito.
entrei no provador (aquele lugar horroroso, pequeno demais, com espelhos demais e a iluminação certa pra deixar minha pele amarela e todas as estrias aparecerem). o zíper estava emperrado e não queria fechar. segurei o vestido fechado, pra ver se realmente valia a pena. olahndo no espelho, contemplei o horror:
eu parecia um cupcake vestindo aquilo. um doce. de casamento. daqueles cheios de firula. e parecer um bolinho lilás ornamentado de lacinhos, amigas, não é necessariamente a melhor coisa do mundo.
nem me importei em fechar o zíper direito. devolvi o vestido pra atendente. eu queria parecer uma mulher, não um docinho.
ontem eu fui trocar um cupom do clube urbano na márcia mello. chegando na loja, vi na vitrine um vestido que eu queria muito. era de festa, preto, curto, de renda e com tule embaixo da saia. perfeito, tudo que eu sempre quis. aí eu entrei pra experimentar, feliz porque era uma das únicas peças bonitas que entrava na promoção.
perguntando pela peça pra vendedora, ela me disse que só tinha em lilás. eu odeio lilás. acho cor de menina fresca, neutra, daquelas que só vestem cores pastéis e nunca entram em discussões polêmicas. mas tudo bem. a maioria das pessoas não sabem o nome exato das cores. pedi pra moça trazer mesmo assim. o vestido não era lilás. era roxo. era quase roxo-escuro-túmulo, do jeito que eu adoro. mas, bem... roxo o vestido se tornava menos perfeito. tudo bem, continuava bonito.
entrei no provador (aquele lugar horroroso, pequeno demais, com espelhos demais e a iluminação certa pra deixar minha pele amarela e todas as estrias aparecerem). o zíper estava emperrado e não queria fechar. segurei o vestido fechado, pra ver se realmente valia a pena. olahndo no espelho, contemplei o horror:
eu parecia um cupcake vestindo aquilo. um doce. de casamento. daqueles cheios de firula. e parecer um bolinho lilás ornamentado de lacinhos, amigas, não é necessariamente a melhor coisa do mundo.
nem me importei em fechar o zíper direito. devolvi o vestido pra atendente. eu queria parecer uma mulher, não um docinho.
16.11.10
eu não gosto de crinaças.
toda vez que eu vejo uma criança especialmente bonita, fico imaginando com quantos caras ela vá transar por presentes caros e popularidade daqui uns anos ou com quantos anos ela vai começar a usar aquelas maquiagens com glitter pra atrair a atenção dos meninos ou quanta pornografia com animais aquele garotinho lindo vá ver quando as espinhas começarem a aparecer. fico imaginando com quantos anos aquela criança super educada vá se rebelar dos pais e começar a passar mal por excesso de bebida e cigarros em festinhas de adolescentes. quantos meninos ou meninas ela ou ele vão esnobar para se sentir mais seguras de si. com quantos anos elas vão perder o interesse por quase tudo que as cercam. com quantos anos a etiqueta vai ser mais importante que a estampa da camiseta. quando ela vai deixar de se interessar pelo meio ambiente ou pelos sentimentos dos amigos e mesmo de desconhecidos. com quantos anos vão deixar de ler contos de fadas e vão começar a achar mitos e lendas antigas a coisa mais idiota do mundo. com quantos anos a cor ou a profissão dos pais vai começar a fazer diferença na hora de brincar com o coleguinha. com quantos anos vão deixar de ser crianças bonitas para se tornarem adolescentes horríveis e egoístas.
toda vez que eu vejo uma criança especialmente bonita, fico imaginando com quantos caras ela vá transar por presentes caros e popularidade daqui uns anos ou com quantos anos ela vai começar a usar aquelas maquiagens com glitter pra atrair a atenção dos meninos ou quanta pornografia com animais aquele garotinho lindo vá ver quando as espinhas começarem a aparecer. fico imaginando com quantos anos aquela criança super educada vá se rebelar dos pais e começar a passar mal por excesso de bebida e cigarros em festinhas de adolescentes. quantos meninos ou meninas ela ou ele vão esnobar para se sentir mais seguras de si. com quantos anos elas vão perder o interesse por quase tudo que as cercam. com quantos anos a etiqueta vai ser mais importante que a estampa da camiseta. quando ela vai deixar de se interessar pelo meio ambiente ou pelos sentimentos dos amigos e mesmo de desconhecidos. com quantos anos vão deixar de ler contos de fadas e vão começar a achar mitos e lendas antigas a coisa mais idiota do mundo. com quantos anos a cor ou a profissão dos pais vai começar a fazer diferença na hora de brincar com o coleguinha. com quantos anos vão deixar de ser crianças bonitas para se tornarem adolescentes horríveis e egoístas.
11.11.10
23.10.10
26.9.10
12.9.10
eu não dirijo. mas gostaria de ter um carro só pelo prazer masoquista de deixar as pessoas à mercê do meu gosto musical. eu colocaria um viking folk metal e olharia a reação dos cidadãos caroneiros, franzindo as testas, estremecendo e perguntando, para a garota loirinha de 1,60m que estaria atrás do volante e, por isso, em posse da escolha de som:
"você gosta MESMO disso?"
e eu responderia:
"é claro que sim! você acha que eu sou pedante o suficiente para escolher os cds que deixo no carro só para parecer mais exêntrica para os caroneiros?"
e diria isso com um sorriso indignado no rosto, que esconderia minhas reais motivações: justamente aquelas que acabei de expôr.
"você gosta MESMO disso?"
e eu responderia:
"é claro que sim! você acha que eu sou pedante o suficiente para escolher os cds que deixo no carro só para parecer mais exêntrica para os caroneiros?"
e diria isso com um sorriso indignado no rosto, que esconderia minhas reais motivações: justamente aquelas que acabei de expôr.
7.9.10
6.9.10
eu sempre quis ter uma banda. Ser uma estrela do rock e gritar pras pessoas, num estilo bem roquenrol, transmitir idéias e sentimentos pras pessoas, roupas roquenrol e todo mundo querendo ser eu e querer me conhecer pelo menos só um pouquinho.
e, se eu tivesse uma banda, queria que fosse assim:
pena que não tenho paciência pra aprender a tocar nenhum instrumento...
e, se eu tivesse uma banda, queria que fosse assim:
pena que não tenho paciência pra aprender a tocar nenhum instrumento...
26.8.10
"eu tenho que ir embora", ele disse. "então você continua sozinha."
estavam numa roda de umas quatro pessoas, discutindo qualquer coisa, enquanto o casal se acarinhava. enquanto ela procurava a faca na bolsa, ele tirou o pênis das calças. ela delicadamente cortou a glande para si e segurou-o entre as duas mãos fechadas. a cabeça cresceria novamente mais tarde, não era a primeira vez que faziam isso.
sozinha na festa, beatriz andava procurando um local tranqüilo para degustar do pedaço de seu namorado. sentou em um canto iluminado, pensando em seu objetivo. morder, mastigar, engolir.
logo surgiram duas ou três garotas conversando sobre esmaltes e maquiagens. beatriz apertou seu amor dilacerado mais fortemente entre as mãos. não queria que ninguém visse, que ninguém quisesse o que ela tinha. as garotas riam enquanto começavam a pintar as unhas umas das outras. uma delas sugeriu que beatriz fizesse o mesmo. ela olhou as próprias mãos fechadas, com esmaltes descascados e um vermelho-alaranjado desbotado. quis muito retocar as pontas dos dedos.
mas ela não soltaria a carne que protegia nas mãos por nada de mais bonito no mundo.
estavam numa roda de umas quatro pessoas, discutindo qualquer coisa, enquanto o casal se acarinhava. enquanto ela procurava a faca na bolsa, ele tirou o pênis das calças. ela delicadamente cortou a glande para si e segurou-o entre as duas mãos fechadas. a cabeça cresceria novamente mais tarde, não era a primeira vez que faziam isso.
sozinha na festa, beatriz andava procurando um local tranqüilo para degustar do pedaço de seu namorado. sentou em um canto iluminado, pensando em seu objetivo. morder, mastigar, engolir.
logo surgiram duas ou três garotas conversando sobre esmaltes e maquiagens. beatriz apertou seu amor dilacerado mais fortemente entre as mãos. não queria que ninguém visse, que ninguém quisesse o que ela tinha. as garotas riam enquanto começavam a pintar as unhas umas das outras. uma delas sugeriu que beatriz fizesse o mesmo. ela olhou as próprias mãos fechadas, com esmaltes descascados e um vermelho-alaranjado desbotado. quis muito retocar as pontas dos dedos.
mas ela não soltaria a carne que protegia nas mãos por nada de mais bonito no mundo.
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